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31.7.03

Internacionalização da Amazónia 

Durante um debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, e actual Ministro da Educação do Governo do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, CRISTOVÃO BUARQUE foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr. Cristóvão Buarque:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.
Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as Reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA
Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA, tem defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!".


30.7.03

Comunicação Social 

Não existe um espaço comum que nos permita partilharmos — convergindo ou divergindo — problemas, prazeres, expectativas ou projectos. Que nos permita sermos mais do que meros consumidores de um fluxo informativo que, como diz Sartori, não passa de «um melaço mental» que nos hipnotiza e entontece em vez de nos emancipar.
Passamos o tempo drogados pela comunicação social dominante.

Fundamentalismo 

No Ocidente só se fala do fundamentalismo islâmico. Esquecemos que este fundamentalismo também se encontra entre nós. Com um perigo maior. É que nós, no Ocidente, possuímos meios técnicos de destruição mais poderosos do que aqueles que têm os países islâmicos.
Bush é um exemplo dum personagem fundamentalista. Nele se reúne a postura ultraconservadora com a força do direitismo e fanatismo religioso.
Bush é um fanático. Filho de pai rico levou, em jovem, uma vida dissoluta muito dedicada ao álcool. Aos 4o anos sentiu-se iluminado pelo céu e mudou de vida. Passou a ser um paladino da luta contra o «eixo do mal». Agora foi o Iraque. Qual será o próximo?
Escreveu há muito tempo o padre Mariana: «não há inimizades maiores do que aquelas que se fazem à sombra da voz e da capa da religião, os homens fazem-se cruéis e semelhantes a bestas ferozes».

Abertura 

Mais do que dizer o que me proponho fazer importa fazer.
A designação «rioacima», em si mesma, encerra alguns propósitos. Parte-se para uma viagem. Não ao sabor mas contra a corrente. Não se procura aqui navegar ao sabor da moda de cada momento. Pelo contrário, tentar-se-á ir no outro sentido.
Navega-se quando possível. Não haverá um continuo. Navega-se quando sentirmos necessidade de o fazer e quando formos capazes de o fazer.
Vamos RIO ACIMA. Próximos da margem esquerda.

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