31.8.03
Poluição americana
Os EUA adoptaram em 27 do corrente novas normas que diminuem as obrigações das indústrias em reduzir a poluição. As novas normas permitem que as centrais térmicas, refinarias e outras indústrias já existentes sejam modernizadas, sem serem obrigadas a reforçar os sistemas para combater a poluição. As indústrias mais poluentes são assim libertadas dos custos em reduzir a sua capacidade poluidora.
A organização ambientalista Natural Resources Defence Council, calcula que 17.000 unidades industriais irão aumentar a sua poluição, em vez de a diminuir. Esta organização afirma que o Governo norte-americano, está a "autorizar aumentos maciços de poluição, de modo a beneficiar apoiantes da campanha de Georg Bush, às custas da saúde pública". Não admira que Bush seja considerado um recordista na angariação de fundos para o partido.
Os apoiantes portugueses do "querido líder" americano, ficarão certamente orgulhosos com mais esta medida de protecção dos interesses da humanidade. Nós, para não sermos apelidados de antiamericanos também aplaudimos. Com os pés.
A organização ambientalista Natural Resources Defence Council, calcula que 17.000 unidades industriais irão aumentar a sua poluição, em vez de a diminuir. Esta organização afirma que o Governo norte-americano, está a "autorizar aumentos maciços de poluição, de modo a beneficiar apoiantes da campanha de Georg Bush, às custas da saúde pública". Não admira que Bush seja considerado um recordista na angariação de fundos para o partido.
Os apoiantes portugueses do "querido líder" americano, ficarão certamente orgulhosos com mais esta medida de protecção dos interesses da humanidade. Nós, para não sermos apelidados de antiamericanos também aplaudimos. Com os pés.
30.8.03
Viver
«Viver é um negócio muito perigoso».
Guimarães Rosa
Guimarães Rosa
Desenvolvimento
«O desenvolvimento tem dois aspectos. Por um lado, o mito global de que as sociedades industriais atingem o bem estar, reduzem as suas desigualdades extremas e proporcionam aos indivíduos o máximo de felicidade que uma sociedade pode dispensar.
Por outro lado, a concepção redutora, em que o crescimento económico é o motor necessário e suficiente de todos os desenvolvimentos sociais, psíquicos e morais.
Esta concepção técnico-económica ignora os problemas humanos da identidade, da comunidade, da solidariedade e da cultura. Assim, a noção de desenvolvimento continua gravemente subdesenvolvida.»
(Edgar Moran e A B Kern)
Por outro lado, a concepção redutora, em que o crescimento económico é o motor necessário e suficiente de todos os desenvolvimentos sociais, psíquicos e morais.
Esta concepção técnico-económica ignora os problemas humanos da identidade, da comunidade, da solidariedade e da cultura. Assim, a noção de desenvolvimento continua gravemente subdesenvolvida.»
(Edgar Moran e A B Kern)
28.8.03
Criança-televisão
«Em a República, Platão alerta para os riscos de se contar às crianças histórias dos feitos guerreiros e das estranhas aventuras amorosas dos deuses e heróis, atribuídas a Homero e Hesíodo.
O filósofo considera que as crianças, incapazes de distinguir o sentido alegórico do sentido literal, ficariam indelevelmente marcadas, caso escutassem tais histórias. Desse modo impunha-se que se vedasse aos adultos encarregados da educação dos mais novos, e nomeadamente aos poetas, a narração de tais relatos.
As questões colocadas por Platão e que constituíram o quadro de referência de diversas teorias da educação e da socialização em diferentes épocas históricas continuam a ser, no essencial, aquelas que estão na ordem do dia quando analisamos a relação criança-televisão. Com a não despicienda diferença de a «contadora de histórias» estar agora em regime de tempo inteiro dentro de cada casa e ser de fácil acesso e manejo, inclusive por crianças de poucos anos». (A Televisão no quotidiano das crianças, Manuel Pinto, p. 355). Fim de citação.
A via de Platão é a da protecção e a da censura.
Uma vez que a «contadora de histórias» está agora, em permanência, dentro de casa, importa encontrar novas estratégias.
A via das pedagogias novas põe a ênfase na autonomização e responsabilização das crianças através de estratégias de enfrentamento dos problemas e das situações. Isto é, à estratégia de protecção de Platão podemos contrapor estratégias de contacto e de autonomização. As crianças não se limitam a imitar o que vêm e ouvem, podem também criar e recriar situações e respostas. Nesse processo tomam consciência de si e da realidade social.
O que é preciso é pensar e reunir as circunstâncias propícias a essa apropriação crítica das mensagens por parte das crianças — e dos adultos. São essas circunstâncias que normalmente estão ausentes. A televisão pesa de mais porque a família e a comunidade pesam de menos.
A questão não está em ocultar, censurar e reprimir, mas sim em mudar uma prática solitária por uma prática solidária. Partilhar o processo de leitura, de aceitação e de rejeição, parece ser o caminho mais adequado.
O filósofo considera que as crianças, incapazes de distinguir o sentido alegórico do sentido literal, ficariam indelevelmente marcadas, caso escutassem tais histórias. Desse modo impunha-se que se vedasse aos adultos encarregados da educação dos mais novos, e nomeadamente aos poetas, a narração de tais relatos.
As questões colocadas por Platão e que constituíram o quadro de referência de diversas teorias da educação e da socialização em diferentes épocas históricas continuam a ser, no essencial, aquelas que estão na ordem do dia quando analisamos a relação criança-televisão. Com a não despicienda diferença de a «contadora de histórias» estar agora em regime de tempo inteiro dentro de cada casa e ser de fácil acesso e manejo, inclusive por crianças de poucos anos». (A Televisão no quotidiano das crianças, Manuel Pinto, p. 355). Fim de citação.
A via de Platão é a da protecção e a da censura.
Uma vez que a «contadora de histórias» está agora, em permanência, dentro de casa, importa encontrar novas estratégias.
A via das pedagogias novas põe a ênfase na autonomização e responsabilização das crianças através de estratégias de enfrentamento dos problemas e das situações. Isto é, à estratégia de protecção de Platão podemos contrapor estratégias de contacto e de autonomização. As crianças não se limitam a imitar o que vêm e ouvem, podem também criar e recriar situações e respostas. Nesse processo tomam consciência de si e da realidade social.
O que é preciso é pensar e reunir as circunstâncias propícias a essa apropriação crítica das mensagens por parte das crianças — e dos adultos. São essas circunstâncias que normalmente estão ausentes. A televisão pesa de mais porque a família e a comunidade pesam de menos.
A questão não está em ocultar, censurar e reprimir, mas sim em mudar uma prática solitária por uma prática solidária. Partilhar o processo de leitura, de aceitação e de rejeição, parece ser o caminho mais adequado.
26.8.03
Guerra económica
A propaganda enganadora está para a guerra como o «Ketchup» está para os pratos servidos no McDonald´s: enjoativo mas necessário para a ingestão do produto.
A guerra económica não escapa à regra, com a diferença de que a propaganda que a justifica se quer mais elaborada em nome de um implícito «os números não mentem» que, entre outros perfumes, exala o da intrujice científica.
Dito isto, há que admitir que os «belicistas», declarados ou não, elaboraram e aperfeiçoaram uma argumentação sobre a legitimidade e a necessidade da guerra imparável, desde que o seu postulado de base seja aceite, a saber: as empresas criam as únicas «verdadeiras» riquezas. A partir daí, o raciocínio corre como a água da fonte. Sigam o guião: é necessário e legítimo que os lucros das empresas aumentem ao máximo. Para que assim seja, é necessário e legítimo que essas mesmas empresas conquistem partes de mercado e, consequentemente, melhorem a sua competitividade. Daqui decorre que toda e qualquer medida que permita aumentar essa indispensável competitividade é legitima, qualquer que seja o custo social. Enfim, espera-se que o Estado e a colectividade no sentido mais lato se coloquem ao serviço da competitividade assim definida. Fim de citação.
(Meu Deus, como é Bela a Guerra Económica!)
A guerra económica não escapa à regra, com a diferença de que a propaganda que a justifica se quer mais elaborada em nome de um implícito «os números não mentem» que, entre outros perfumes, exala o da intrujice científica.
Dito isto, há que admitir que os «belicistas», declarados ou não, elaboraram e aperfeiçoaram uma argumentação sobre a legitimidade e a necessidade da guerra imparável, desde que o seu postulado de base seja aceite, a saber: as empresas criam as únicas «verdadeiras» riquezas. A partir daí, o raciocínio corre como a água da fonte. Sigam o guião: é necessário e legítimo que os lucros das empresas aumentem ao máximo. Para que assim seja, é necessário e legítimo que essas mesmas empresas conquistem partes de mercado e, consequentemente, melhorem a sua competitividade. Daqui decorre que toda e qualquer medida que permita aumentar essa indispensável competitividade é legitima, qualquer que seja o custo social. Enfim, espera-se que o Estado e a colectividade no sentido mais lato se coloquem ao serviço da competitividade assim definida. Fim de citação.
(Meu Deus, como é Bela a Guerra Económica!)
22.8.03
No nascimento e na morte somos todos iguais: a propósito do Iraque
Todas as mortes são para lamentar. No nascimento e na morte, as pessoas célebres são rigorosamente iguais às anónimas. Na morte, Sérgio Vieira de Melo valia o mesmo que o repórter de câmara assassinado na véspera, pelos soldados americanos, e o mesmo que as duas crianças que dois dias antes haviam sido esmagadas por tanques americanos. A diferença está apenas no reconhecimento público que o poder faz dos seus e no silêncio que cobre a morte dos anónimos.
A morte do representante da ONU no Iraque, por muita simpatia que tenhamos pela pessoa – e eu tenho - não é nem mais nem menos grave e de lamentar, do que a morte de cada um(a) dos iraquianos(as) ou soldados americanos e ingleses e jornalistas ocidentais que já foram mortos durante esta guerra.
A morte e o sofrimento de cada uma das crianças que tombaram no Iraque, como consequência das duas guerras, não me causa uma tristeza menor do que aquela que me provoca a morte de Sérgio Vieira de Melo.
Muitos de nós sabiam e disseram, antes do início da guerra, que a política terrorista dos governos anglo-americanos apenas iriam trazer morte, destruição, sofrimento e mais violência ao povo iraquiano e ao mundo. Foram muitos os que nos contradisseram e continuam a contradizer. A realidade está aí.
O discurso retórico dominante coloca o conflito entre terroristas e forças civilizadas. Não aceito está categorização. Os responsáveis pelo início das hostilidades têm nome. Não há uma violência boa e outra má. Bush assumiu claramente que ia para a guerra para defender as suas ideias e os interesses do seu país. Os que agora atacam as forças anglo-americanas fazem-no em nome dos seus ideais e do seu país.
Existem certamente, subjacentes a estes actos violentos, comportamentos fundamentalistas. Mas o fundamentalismo cristão de Bush e seus acólitos será melhor e menor do que o fundamentalismo que está por trás dos actos violentos contra as forças de ocupação no Iraque? Sublinho que todos os fundamentalismos são de evitar e condenar.
Temos de perguntar: quem são os responsáveis por esta tragédia que já provocou demasiada destruição, morte e sofrimento e vai continuar a provocar?
O que é o terrorismo? Quem são os terroristas? Os que planearam este atentado são mais terroristas do que Bush que planeou a guerra?
O actual governo americano é ou não um governo terrorista? Bush e os seus acólitos não se comportam como terroristas? Não devemos pedir ao povo americano que os demita? Não devem ser julgados por um tribunal internacional? Não é fundamental que a opinião pública internacional ponha cobro às ambiguidades do discurso retórico «pró-ocidental»?
Que fazer agora?
Tendo em conta a situação criada a ONU deve:
— assumir a responsabilidade pela direcção da política no Iraque.
— exigir a retirada das forças anglo-americanas daquele país.
— estabelecer e pactuar com o povo Iraquiano o prazo de normalização da situação. Prazo curto.
— criar um governo da sua responsabilidade tendo como objectivo promover eleições livres o mais depressa possível.
— devolver a autonomia e a liberdade política a todos os iraquianos.
— promover a legalização e o funcionamento livre dos partidos e movimentos políticos iraquianos.
— chamar esses partidos a colaborarem significativamente com o governo de transição.
— cessar a perseguição política no Iraque.
— eleger uma Assembleia Constituinte.
— não fazer discriminações de qualquer espécie em relação aos diferentes grupos sociais ou políticos iraquianos.
— por o país a funcionar.
— devolver, no mais curto prazo possível, o Iraque aos Iraquianos.
A morte do representante da ONU no Iraque, por muita simpatia que tenhamos pela pessoa – e eu tenho - não é nem mais nem menos grave e de lamentar, do que a morte de cada um(a) dos iraquianos(as) ou soldados americanos e ingleses e jornalistas ocidentais que já foram mortos durante esta guerra.
A morte e o sofrimento de cada uma das crianças que tombaram no Iraque, como consequência das duas guerras, não me causa uma tristeza menor do que aquela que me provoca a morte de Sérgio Vieira de Melo.
Muitos de nós sabiam e disseram, antes do início da guerra, que a política terrorista dos governos anglo-americanos apenas iriam trazer morte, destruição, sofrimento e mais violência ao povo iraquiano e ao mundo. Foram muitos os que nos contradisseram e continuam a contradizer. A realidade está aí.
O discurso retórico dominante coloca o conflito entre terroristas e forças civilizadas. Não aceito está categorização. Os responsáveis pelo início das hostilidades têm nome. Não há uma violência boa e outra má. Bush assumiu claramente que ia para a guerra para defender as suas ideias e os interesses do seu país. Os que agora atacam as forças anglo-americanas fazem-no em nome dos seus ideais e do seu país.
Existem certamente, subjacentes a estes actos violentos, comportamentos fundamentalistas. Mas o fundamentalismo cristão de Bush e seus acólitos será melhor e menor do que o fundamentalismo que está por trás dos actos violentos contra as forças de ocupação no Iraque? Sublinho que todos os fundamentalismos são de evitar e condenar.
Temos de perguntar: quem são os responsáveis por esta tragédia que já provocou demasiada destruição, morte e sofrimento e vai continuar a provocar?
O que é o terrorismo? Quem são os terroristas? Os que planearam este atentado são mais terroristas do que Bush que planeou a guerra?
O actual governo americano é ou não um governo terrorista? Bush e os seus acólitos não se comportam como terroristas? Não devemos pedir ao povo americano que os demita? Não devem ser julgados por um tribunal internacional? Não é fundamental que a opinião pública internacional ponha cobro às ambiguidades do discurso retórico «pró-ocidental»?
Que fazer agora?
Tendo em conta a situação criada a ONU deve:
— assumir a responsabilidade pela direcção da política no Iraque.
— exigir a retirada das forças anglo-americanas daquele país.
— estabelecer e pactuar com o povo Iraquiano o prazo de normalização da situação. Prazo curto.
— criar um governo da sua responsabilidade tendo como objectivo promover eleições livres o mais depressa possível.
— devolver a autonomia e a liberdade política a todos os iraquianos.
— promover a legalização e o funcionamento livre dos partidos e movimentos políticos iraquianos.
— chamar esses partidos a colaborarem significativamente com o governo de transição.
— cessar a perseguição política no Iraque.
— eleger uma Assembleia Constituinte.
— não fazer discriminações de qualquer espécie em relação aos diferentes grupos sociais ou políticos iraquianos.
— por o país a funcionar.
— devolver, no mais curto prazo possível, o Iraque aos Iraquianos.
11.8.03
Bush, o evangélico puritano governa o mundo
Bush, investido pelo poder da virtude cristã, disse:
1. «A liberdade a que estamos vinculados não é o dom da América ao mundo, é o dom de Deus à humanidade».
2. «Não pretendemos conhecer todos os caminhos da Providência, podemos porém confiar nela e depositar a nossa confiança no Deus pleno de amor que preside a toda a existência e a toda a história».
3. «Os acontecimentos não são accionados por mudanças cegas nem pelo acaso [mas sim] pela mão de um Deus justo e fiel».
4. «A tripulação do vaivém Columbia não pôde voltar à Terra. Mas nós podemos rezar para que todos os seus membros regressem bem a casa».
5. «Para defendermos a nossa grande nação, exportaremos a morte e a violência para os quatro cantos da Terra».
Assim se vai fazendo a síntese entre o paraíso sonhado pelo evangelista puritano e as utopias do político. O governo do mundo está hoje entregue a um indivíduo que está convencido de que o curso dos acontecimentos da história está «nas mãos de um Deus justo e fiel» e que considera a sua própria ignorância como uma virtude.
Não há dúvida que os nós que amarravam os Estados Unidos ao século das Luzes se estão a desatar a grande velocidade.
Alguns têm dito que a política do governo de Bush nos está a conduzir para um choque de civilizações. Mas o que está de facto a acontecer é um choque de superstições.
1. «A liberdade a que estamos vinculados não é o dom da América ao mundo, é o dom de Deus à humanidade».
2. «Não pretendemos conhecer todos os caminhos da Providência, podemos porém confiar nela e depositar a nossa confiança no Deus pleno de amor que preside a toda a existência e a toda a história».
3. «Os acontecimentos não são accionados por mudanças cegas nem pelo acaso [mas sim] pela mão de um Deus justo e fiel».
4. «A tripulação do vaivém Columbia não pôde voltar à Terra. Mas nós podemos rezar para que todos os seus membros regressem bem a casa».
5. «Para defendermos a nossa grande nação, exportaremos a morte e a violência para os quatro cantos da Terra».
Assim se vai fazendo a síntese entre o paraíso sonhado pelo evangelista puritano e as utopias do político. O governo do mundo está hoje entregue a um indivíduo que está convencido de que o curso dos acontecimentos da história está «nas mãos de um Deus justo e fiel» e que considera a sua própria ignorância como uma virtude.
Não há dúvida que os nós que amarravam os Estados Unidos ao século das Luzes se estão a desatar a grande velocidade.
Alguns têm dito que a política do governo de Bush nos está a conduzir para um choque de civilizações. Mas o que está de facto a acontecer é um choque de superstições.
10.8.03
«Ensino» privado
Os neoliberais são uns pândegos. Vejam o que eles escrevem:
A Administração Pública não deve «fornecer serviços educativos para além dos espontaneamente criados pelo mercado» (Milton Friedman).
«Toda e qualquer medida tomada pelo Estado para resolver um problema económico ou social produz mais efeitos nocivos do que efeitos úteis» (Ludwig Von Mises).
A comprovar esta bondade do mercado e a excelência e sentido de responsabilidade do sector privado, leiam um anúncio recentemente publicado em jornais da Galiza:
"Nueva Universidad Privada, a un paso de Vigo, em Portugal"
«Licenciaturas: Fisioterapia. Radiologia. Farmácia. Análisis Clínicos y Salud Pública.
Curso Complementario de 1 ano (un sábado al mes) para los Diplomados que quieran obtener la Licenciatura.
Titulación oficial válida para trabajar en España sin precisar convalidación. Clases en español y português.»
Como vêm o mercado e o privado é «munta bom». 1 ano. Um Sábado «al mês». Quer dizer, tirando as férias, uma licenciatura em 9 ou 10 Sábados! Isto é que é eficiência. Produtividade. Rentabilidade. Competitividade… não é o que eles apregoam? Pois se podem vender uma licenciatura em nove ou dez sábados para que gastar mais tempo e dinheiro?
Não há dúvida. Estado para quê?
Nota:
Esta coisa bizarra — como outras — foi autorizada pelo actual governo o ano passado. O Justino, o Lince e o Durão enchem a boca com avaliação, coragem reformadora, rigor e qualidade!
São as reformas do PSD. São as reformas corajosas. É o futuro-paraíso prometido.
A Administração Pública não deve «fornecer serviços educativos para além dos espontaneamente criados pelo mercado» (Milton Friedman).
«Toda e qualquer medida tomada pelo Estado para resolver um problema económico ou social produz mais efeitos nocivos do que efeitos úteis» (Ludwig Von Mises).
A comprovar esta bondade do mercado e a excelência e sentido de responsabilidade do sector privado, leiam um anúncio recentemente publicado em jornais da Galiza:
"Nueva Universidad Privada, a un paso de Vigo, em Portugal"
«Licenciaturas: Fisioterapia. Radiologia. Farmácia. Análisis Clínicos y Salud Pública.
Curso Complementario de 1 ano (un sábado al mes) para los Diplomados que quieran obtener la Licenciatura.
Titulación oficial válida para trabajar en España sin precisar convalidación. Clases en español y português.»
Como vêm o mercado e o privado é «munta bom». 1 ano. Um Sábado «al mês». Quer dizer, tirando as férias, uma licenciatura em 9 ou 10 Sábados! Isto é que é eficiência. Produtividade. Rentabilidade. Competitividade… não é o que eles apregoam? Pois se podem vender uma licenciatura em nove ou dez sábados para que gastar mais tempo e dinheiro?
Não há dúvida. Estado para quê?
Nota:
Esta coisa bizarra — como outras — foi autorizada pelo actual governo o ano passado. O Justino, o Lince e o Durão enchem a boca com avaliação, coragem reformadora, rigor e qualidade!
São as reformas do PSD. São as reformas corajosas. É o futuro-paraíso prometido.
9.8.03
Mercado
O discurso sobre a auto-regulação do mercado é retórico. No mercado existe cada vez menos concorrência. A concentração e a concertação do controle são cada vez maiores.
Mesmo na política é evidente o domínio de todos por um só. Na política internacional não existe concorrência, mas subserviência.
No mercado actual não existe concorrência. Esta só existia nos países de economia primitiva. Mesmo quando algum sector não está nas mãos de um só, não concorrem concertam-se. O que fica em concorrência são pequenas actividades residuais.
Mesmo na política é evidente o domínio de todos por um só. Na política internacional não existe concorrência, mas subserviência.
No mercado actual não existe concorrência. Esta só existia nos países de economia primitiva. Mesmo quando algum sector não está nas mãos de um só, não concorrem concertam-se. O que fica em concorrência são pequenas actividades residuais.
EUA usaram armas químicas no Iraque
As forças militares norte-americanas utilizaram bombas químicas no Iraque. Mike Daily, responsável do Pentágono, citado pelo jornal australiano «Sydney Morning Herald» afirmou que foram usadas bombas MK-77 tipo napalm. As bombas foram largadas pelo menos em três lugares: na região de Safwan, no canal Saddam e num local perto do rio Tigre a norte da localidade de Numaniyah, disse outro responsável norte-americano, sob anonimato, ao jornal «San Diego Tribune».
As bombas MK-77 usam um químico diferente do napalm mas têm o mesmo efeito.
O napalm foi banido por uma convenção das Nações Unidas nos anos 80, convenção não assinada pelos EUA.
Fica assim mais uma vez provado que os EUA têm armas químicas em abundância, estão dispostos a utilizá-las e utilizam-nas sempre que lhes é conveniente e cómodo.
As bombas MK-77 usam um químico diferente do napalm mas têm o mesmo efeito.
O napalm foi banido por uma convenção das Nações Unidas nos anos 80, convenção não assinada pelos EUA.
Fica assim mais uma vez provado que os EUA têm armas químicas em abundância, estão dispostos a utilizá-las e utilizam-nas sempre que lhes é conveniente e cómodo.
8.8.03
Custo da hora de trabalho na Europa (em euros)
Suécia ……….. 28,56
Dinamarca….. 27,10
Alemanha…... 26,34
França.. ……...24,39
Luxemburgo..24,23
Reino Unido.. 23,85
Áustria…….... 23,60
Holanda……... 22,99
Finlândia……... 22,13
Itália………....,. 18,99
Irlanda………....17,31
Espanha……... 14,22
Chipre ……..... 10,74
Grécia……….... 10,40
Eslovénia…..... 8,98
PORTUGAL..... 8,13
Polónia……….... 4,48
Rep. Checa….. 3,90
Hungria…….... 3,83
Eslováquia…... 3,06
Estónia……..... 3,03
Lituânia…..…... 2,71
Letónia……...... 2,42
Roménia…..….. 1,51
Bulgária……..... 1,35
Média da União Europeia (UE) = 22,19 — Média dos 11Candidatos = 3,47
Dados relativos ao ano de 2000
Fonte: Eurostat
COMENTÁRIO:
Os nossos empresários, os nossos políticos do governo, os nossos deputados da maioria governamental, os nossos comentadores oficiais, os nossos directores dos jornais ditos de referência, os opinadores de serviço, todos, mesmo todos, consideram que estes últimos anos foram um desregramento salarial, uma orgia salarial, uma pilhagem salarial apoiada pelos governos de Guterres! Vê-se.
Os números dizem o que é preciso dizer. Não saímos da órbita do Capitalismo de Estado Soviético há 10 anos. Estamos na Comunidade há quinze. Recebemos ajudas ao desenvolvimento e no entanto os salários em Portugal, ao contrário do que dizem as excelências, são a miséria que se vê.
E ainda dizem que ganhamos demais! Eles lá saberão o que ganham.
Dinamarca….. 27,10
Alemanha…... 26,34
França.. ……...24,39
Luxemburgo..24,23
Reino Unido.. 23,85
Áustria…….... 23,60
Holanda……... 22,99
Finlândia……... 22,13
Itália………....,. 18,99
Irlanda………....17,31
Espanha……... 14,22
Chipre ……..... 10,74
Grécia……….... 10,40
Eslovénia…..... 8,98
PORTUGAL..... 8,13
Polónia……….... 4,48
Rep. Checa….. 3,90
Hungria…….... 3,83
Eslováquia…... 3,06
Estónia……..... 3,03
Lituânia…..…... 2,71
Letónia……...... 2,42
Roménia…..….. 1,51
Bulgária……..... 1,35
Média da União Europeia (UE) = 22,19 — Média dos 11Candidatos = 3,47
Dados relativos ao ano de 2000
Fonte: Eurostat
COMENTÁRIO:
Os nossos empresários, os nossos políticos do governo, os nossos deputados da maioria governamental, os nossos comentadores oficiais, os nossos directores dos jornais ditos de referência, os opinadores de serviço, todos, mesmo todos, consideram que estes últimos anos foram um desregramento salarial, uma orgia salarial, uma pilhagem salarial apoiada pelos governos de Guterres! Vê-se.
Os números dizem o que é preciso dizer. Não saímos da órbita do Capitalismo de Estado Soviético há 10 anos. Estamos na Comunidade há quinze. Recebemos ajudas ao desenvolvimento e no entanto os salários em Portugal, ao contrário do que dizem as excelências, são a miséria que se vê.
E ainda dizem que ganhamos demais! Eles lá saberão o que ganham.
7.8.03
Incêndios: onde está o Governo?
O Governo tem mostrado uma profunda incompetência na gestão política dos incêndios florestais. O ministro da Administração Interna (MAI), Figueiredo Lopes, não percebeu, nem quis perceber nada do que tem estado a acontecer. O seu modelo de protecção civil, ficou demonstrado, é uma palermice.
Durão Barroso ficou mais preocupado com as consequências políticas desta incompetência do que com a situação dramática vivida por milhares de portugueses. A primeira coisa que fez, depois de o país andar dias e dias a arder, foi recomendar calma, como se fosse possível ter calma no meio dos fogos. Outra coisa que disse foi que «a hora não é para divisões e baixa política». Com isto quis calar a crítica à incúria governamental. Salvar a pele é a sua divisa.
Apesar de muitos autarcas pensarem que é melhor ficar por agora calado e não atrapalhar ainda mais a situação, mesmo assim, muitos não têm resistido em mostrar as suas criticas e outros dizem ir fazê-lo mais tarde.
Muitos autarcas são críticos da reestruturação do Serviço Nacional de Bombeiros e da Protecção Civil levadas a cabo pelo ministro Figueiredo Lopes e pelo actual Governo. São muitos os que responsabilizam esta reestruturação por grande parte da calamidade vivida. «Há indivíduos com responsabilidades nesta área que não sabem distinguir um chaparro de um eucalipto», diz um autarca da região centro.
O deputado, eleito por Leiria, Paulo Baptista dos Santos, diz que «houve uma descoordenação total dos serviços na região Centro». Este deputado aponta o dedo ao responsável distrital, que acusa de «incompetência», e ao MAI que promoveu uma reestruturação «que correu mal» porque «sobrepôs a óptica financeira à técnica».
A Associação Nacional de Municípios Portugueses aparenta estar condicionada por razões partidárias. Afirma ir fazer uma reunião «em momento oportuno». O «momento oportuno» será lá para o Inverno se então alguém ainda se lembrar da promessa.
O primeiro-ministro Durão Barroso, ao estilo neoliberal, deixa correr o marfim. Estará provavelmente à espera que o mercado resolva os problemas. No seu entendimento o Estado não tem nada a fazer a não ser fazer contas de cabeça ao déficite e dar mais umas machadadas à àrvore decrépita do Estado. É o fado.
O primeiro-ministro abanou o traseiro, ligeiramente, depois de confrontado pelo Presidente da República. Depois voltou à carga com a história do futuro. Só lhe falta explicar que estamos a deixar queimar as árvores agora para termos árvores novinhas no futuro. Pois é, no futuro é que vai ser.
Com baixa ou alta política é absolutamente necessário dar a conhecer à opinião pública as diferentes responsabilidades pela desgraça agora ocorrida. Ou fazemos contas no futuro?
Durão Barroso ficou mais preocupado com as consequências políticas desta incompetência do que com a situação dramática vivida por milhares de portugueses. A primeira coisa que fez, depois de o país andar dias e dias a arder, foi recomendar calma, como se fosse possível ter calma no meio dos fogos. Outra coisa que disse foi que «a hora não é para divisões e baixa política». Com isto quis calar a crítica à incúria governamental. Salvar a pele é a sua divisa.
Apesar de muitos autarcas pensarem que é melhor ficar por agora calado e não atrapalhar ainda mais a situação, mesmo assim, muitos não têm resistido em mostrar as suas criticas e outros dizem ir fazê-lo mais tarde.
Muitos autarcas são críticos da reestruturação do Serviço Nacional de Bombeiros e da Protecção Civil levadas a cabo pelo ministro Figueiredo Lopes e pelo actual Governo. São muitos os que responsabilizam esta reestruturação por grande parte da calamidade vivida. «Há indivíduos com responsabilidades nesta área que não sabem distinguir um chaparro de um eucalipto», diz um autarca da região centro.
O deputado, eleito por Leiria, Paulo Baptista dos Santos, diz que «houve uma descoordenação total dos serviços na região Centro». Este deputado aponta o dedo ao responsável distrital, que acusa de «incompetência», e ao MAI que promoveu uma reestruturação «que correu mal» porque «sobrepôs a óptica financeira à técnica».
A Associação Nacional de Municípios Portugueses aparenta estar condicionada por razões partidárias. Afirma ir fazer uma reunião «em momento oportuno». O «momento oportuno» será lá para o Inverno se então alguém ainda se lembrar da promessa.
O primeiro-ministro Durão Barroso, ao estilo neoliberal, deixa correr o marfim. Estará provavelmente à espera que o mercado resolva os problemas. No seu entendimento o Estado não tem nada a fazer a não ser fazer contas de cabeça ao déficite e dar mais umas machadadas à àrvore decrépita do Estado. É o fado.
O primeiro-ministro abanou o traseiro, ligeiramente, depois de confrontado pelo Presidente da República. Depois voltou à carga com a história do futuro. Só lhe falta explicar que estamos a deixar queimar as árvores agora para termos árvores novinhas no futuro. Pois é, no futuro é que vai ser.
Com baixa ou alta política é absolutamente necessário dar a conhecer à opinião pública as diferentes responsabilidades pela desgraça agora ocorrida. Ou fazemos contas no futuro?
Globalização
"A mundialização na versão «todos são cidadãos do mundo» é a melhor das coisas, a mundialização na versão «todos são empregados e vassalos do supermercado mundial» a pior."
Propaganda
A propaganda enganadora está para a guerra como o ketchup está para os pratos servidos no MacDonald´s: enjoativo mas necessário para a ingestão do produto.
(Meu Deus como é bela a guerra económica)
(Meu Deus como é bela a guerra económica)
5.8.03
Análise de conteúdo
Há gente convencida que para apanhar as ideias contidas numa folha de papel convém disparar para o ar, para que as ideias se rendam e saiam do papel de mãos no ar. Mas uma ideia com as mãos no ar é uma ideia morta, não serve para nada.
Profissionalismo
Não é necessário ser-se pedreiro para dizer se uma parede está torta. Mas para endireitar essa parede não serve qualquer curioso, é preciso um profissional e dos bons.
Filósofos
«... Creio que todos os homens são filósofos, ainda que uns mais do que outros. Estou naturalmente de acordo em que existe algo como um grupo especial e exclusivo de filósofos académicos, mas não partilho de modo algum do entusiasmo de Waismann pela actividade e pelas opiniões destes filósofos.
Penso, pelo contrário, que há muito a favor daqueles (que a meus olhos são também uma espécie de filósofos) que desconfiam da filosofia académica.
Em todo o caso, sou um adversário firme de uma teoria que está subjacente, de forma não expressa e não analisada, ao brilhante ensaio de Waismann. Refiro-me à teoria da existência de uma elite intelectual e filosófica.» Esta ideia é nítida nalgumas observações de Waismann, como por exemplo: «De facto, o filósofo é um indivíduo que pressente os planos ocultos na estrutura dos nossos conceitos onde os outros não vêem mais do que a senda trilhada da vulgaridade.»
(Popper, Karl R.; Em busca de um mundo melhor)
Penso, pelo contrário, que há muito a favor daqueles (que a meus olhos são também uma espécie de filósofos) que desconfiam da filosofia académica.
Em todo o caso, sou um adversário firme de uma teoria que está subjacente, de forma não expressa e não analisada, ao brilhante ensaio de Waismann. Refiro-me à teoria da existência de uma elite intelectual e filosófica.» Esta ideia é nítida nalgumas observações de Waismann, como por exemplo: «De facto, o filósofo é um indivíduo que pressente os planos ocultos na estrutura dos nossos conceitos onde os outros não vêem mais do que a senda trilhada da vulgaridade.»
(Popper, Karl R.; Em busca de um mundo melhor)
Pedofilia
Ele jura que não violou nem uma mosca.
Privatização da educação
No processo de privatização da educação, palavras chave como pedagogia e cultura são substituídas por palavras como eficácia, optimização e adaptabilidade.
Formação para a autonomia
Hoje em dia quando um casal vai viver autonomamente, normalmente nenhum dos seus membros sabe cozinhar. A antiga tradição familiar, de passar conhecimentos, perdeu-se. E mesmo que se não tivesse perdido o elemento masculino seria ignorante no que toca à capacidade de cozinhar. Mesmo hoje, nas famílias onde ainda se faz essa transmissão de conhecimento ela continua a ser feita quase só para as raparigas.
Saber cozinhar é uma das condições fundamentais de autonomia e de independência. Quem não sabe cozinhar é inevitavelmente um dependente, apesar dos pré-cozinhados e dos pronto a comer.
A formação para a autonomia pessoal continua a ser apenas vista numa perspectiva intelectual. Acredita-se que tal autonomia passa essencialmente pela aquisição de capacidade critica e de algum entendimento sobre o funcionamento dos mecanismos sociais. Mas a autonomia pessoal passa necessariamente pela compreensão e domínio de tarefas materiais básicas, essenciais à sobrevivência do indivíduo.
Uma pessoa que não saiba cozinhar, pregar um botão, passar roupa a ferro, limpar a casa, fazer uma cama, é um ser dependente incapaz de encarar a vida com autonomia pessoal.
Hoje, para além do saber cozinhar, a autonomia pessoal passa também por saber passar a ferro, pregar um botão, fazer uma ligação eléctrica simples, consertar um electrodoméstico, por cobro ao pingo teimoso de uma torneira, diagnosticar e resolver pequenas avarias num automóvel. A autonomia passa ainda pelo conhecimento das tarefas básicas no tratamento e atendimento às necessidades de uma criança e pela resolução de um sem número de pequenos problemas com que nos confrontamos no dia a dia. Utilizar um banco, preencher uma declaração de impostos, são exemplos, entre tantos outros, a acrescentar à lista de competências necessárias à autonomia.
Considerando a falência educativa de muitas famílias e a incompetência de outras, perguntamo-nos onde devem as pessoas, em especial os jovens, adquirir estas competências. A resposta mais fácil e mais na onda é dizer que se devem adquirir na escola. De facto, vem sendo costume atribuir à escola a responsabilidade por colmatar as falhas e a incompetência de outras instituições, a começar pela família e a terminar nos órgãos de poder central e local. Na nossa opinião essa responsabilidade não é da escola.
Convém distinguir o que é da responsabilidade da escola e o que é da responsabilidade de outros órgãos comunitários. A escola só pode responder com competência se for alijada de um sem número de responsabilidades que indevidamente lhe têm sido atribuídas e que a têm sufocado. A escola deve ter como prioridade a disponibilização de conhecimento científico devidamente estruturado. O conhecimento das ciências, das letras e das artes são da competência da escolas. Mas convém definir o papel das aprendizagens informais necessárias à autonomia dos indivíduos.
A par das escolas devem as comunidades estruturar uma rede de formação e educação informal para a autonomia. Na comunidade devem existir Associações de Formação para a Vida. Estas associações, organizadas em rede de conhecimentos, devem ser da responsabilidade das autarquias e devem apresentar propostas múltiplas de formação. Cozinha. Ecologia. Tratamento de lixos. Alimentação saudável. Reparações eléctricas. Carpintaria. Mecânica e condução segura. Educação sexual e planeamento familiar. Costura. Puericultura. Plantas de interior e exterior. Actividades desportivas. Ocupação de tempos livres. Formação para o usufruto das artes e o que a imaginação e criatividade considerar necessário à autonomia e formação básica dos cidadãos, são ofertas a fazer no âmbito das redes de informação e formação informal.
Em síntese, a formação dos cidadãos não pode ser focalizada unicamente nas aquisições para o mercado de trabalho. É fundamental formar para a autonomia e para a responsabilidade cívica e política. É necessário pensar que das redes de formação dos indivíduos não podem fazer parte unicamente as escolas. É importante que as autarquias compreendam que a sua maior tarefa está no lançamento e manutenção da informação e formação informal. É fundamental acabar com comunidades que são desertos sociais. É preciso dar vida às comunidades. Essa vida comunitária ajuda a revitalizar as escolas e as famílias.
Estas necessidades mostram que o neoliberalismo, enquanto discurso desresponsabilizador do Estado — seja das estruturas centrais, seja das locais — é pernicioso ao desenvolvimento das sociedades e a uma vida saudável e rica das populações.
As comunidades têm de proporcionar o prazer e o saber e isso passa pelo passeio e pela estrada que se arranja, pela árvore que se planta, pela carpintaria social que se abre.
Saber cozinhar é uma das condições fundamentais de autonomia e de independência. Quem não sabe cozinhar é inevitavelmente um dependente, apesar dos pré-cozinhados e dos pronto a comer.
A formação para a autonomia pessoal continua a ser apenas vista numa perspectiva intelectual. Acredita-se que tal autonomia passa essencialmente pela aquisição de capacidade critica e de algum entendimento sobre o funcionamento dos mecanismos sociais. Mas a autonomia pessoal passa necessariamente pela compreensão e domínio de tarefas materiais básicas, essenciais à sobrevivência do indivíduo.
Uma pessoa que não saiba cozinhar, pregar um botão, passar roupa a ferro, limpar a casa, fazer uma cama, é um ser dependente incapaz de encarar a vida com autonomia pessoal.
Hoje, para além do saber cozinhar, a autonomia pessoal passa também por saber passar a ferro, pregar um botão, fazer uma ligação eléctrica simples, consertar um electrodoméstico, por cobro ao pingo teimoso de uma torneira, diagnosticar e resolver pequenas avarias num automóvel. A autonomia passa ainda pelo conhecimento das tarefas básicas no tratamento e atendimento às necessidades de uma criança e pela resolução de um sem número de pequenos problemas com que nos confrontamos no dia a dia. Utilizar um banco, preencher uma declaração de impostos, são exemplos, entre tantos outros, a acrescentar à lista de competências necessárias à autonomia.
Considerando a falência educativa de muitas famílias e a incompetência de outras, perguntamo-nos onde devem as pessoas, em especial os jovens, adquirir estas competências. A resposta mais fácil e mais na onda é dizer que se devem adquirir na escola. De facto, vem sendo costume atribuir à escola a responsabilidade por colmatar as falhas e a incompetência de outras instituições, a começar pela família e a terminar nos órgãos de poder central e local. Na nossa opinião essa responsabilidade não é da escola.
Convém distinguir o que é da responsabilidade da escola e o que é da responsabilidade de outros órgãos comunitários. A escola só pode responder com competência se for alijada de um sem número de responsabilidades que indevidamente lhe têm sido atribuídas e que a têm sufocado. A escola deve ter como prioridade a disponibilização de conhecimento científico devidamente estruturado. O conhecimento das ciências, das letras e das artes são da competência da escolas. Mas convém definir o papel das aprendizagens informais necessárias à autonomia dos indivíduos.
A par das escolas devem as comunidades estruturar uma rede de formação e educação informal para a autonomia. Na comunidade devem existir Associações de Formação para a Vida. Estas associações, organizadas em rede de conhecimentos, devem ser da responsabilidade das autarquias e devem apresentar propostas múltiplas de formação. Cozinha. Ecologia. Tratamento de lixos. Alimentação saudável. Reparações eléctricas. Carpintaria. Mecânica e condução segura. Educação sexual e planeamento familiar. Costura. Puericultura. Plantas de interior e exterior. Actividades desportivas. Ocupação de tempos livres. Formação para o usufruto das artes e o que a imaginação e criatividade considerar necessário à autonomia e formação básica dos cidadãos, são ofertas a fazer no âmbito das redes de informação e formação informal.
Em síntese, a formação dos cidadãos não pode ser focalizada unicamente nas aquisições para o mercado de trabalho. É fundamental formar para a autonomia e para a responsabilidade cívica e política. É necessário pensar que das redes de formação dos indivíduos não podem fazer parte unicamente as escolas. É importante que as autarquias compreendam que a sua maior tarefa está no lançamento e manutenção da informação e formação informal. É fundamental acabar com comunidades que são desertos sociais. É preciso dar vida às comunidades. Essa vida comunitária ajuda a revitalizar as escolas e as famílias.
Estas necessidades mostram que o neoliberalismo, enquanto discurso desresponsabilizador do Estado — seja das estruturas centrais, seja das locais — é pernicioso ao desenvolvimento das sociedades e a uma vida saudável e rica das populações.
As comunidades têm de proporcionar o prazer e o saber e isso passa pelo passeio e pela estrada que se arranja, pela árvore que se planta, pela carpintaria social que se abre.
4.8.03
Felicidade - Infelicidade
Sou feliz só por preguiça.
A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença.
(Mia Couto)
A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença.
(Mia Couto)
3.8.03
Droga exportada pelo Afeganistão «libertado»
O Afeganistão é já o principal produtor e exportador de ópio, heroína e morfina, reconhecem as Nações Unidas. Mais de 90% da heroína que se consome na Grã-Bretanha tem origem no Afeganistão.
Uma das razões invocadas pelos EUA para invadirem o Afeganistão foi o de considerarem que ali se produzia ópio. No entanto os dados actuais apontam para que em 2001 a produção de drogas tenha sido de 185 toneladas. Em 2002 o volume de produção aumentou para 3.400 toneladas.
Este aumento da produção e exportação de droga do Afeganistão explica-se pelo papel que ali têm os chamados senhores da guerra. O governo de Cabul fez um acordo com os senhores da guerra. Estes podiam repartir-se e controlar partes do país e em troca deixavam o controle da capital para o presidente Amid Karzai e garantiam uma rota segura de oleodutos entre o Cáucaso e o Paquistão.
Os EUA conseguiram assim o seu principal objectivo a existência e funcionamento do oleoduto que permite o controle do petróleo e do gás da Ásia Central. O país vive num feudalismo mais acentuado do que aquele que tinha antes de finais da década de 1970.
Amid Karzai impôs um governo interino controlado pelo Pentágono. Dez dos seus ministros têm nacionalidade americana. Karzai conserva contactos com a sua aparentemente ex empresa Unocal, uma das encarregadas de transportar o petróleo do Kasaquistão até ao Índico.
O negócio serve todas as partes envolvidas. Daí o silêncio que tem reinado sobre o que se passa naquela região do mundo.
Uma das razões invocadas pelos EUA para invadirem o Afeganistão foi o de considerarem que ali se produzia ópio. No entanto os dados actuais apontam para que em 2001 a produção de drogas tenha sido de 185 toneladas. Em 2002 o volume de produção aumentou para 3.400 toneladas.
Este aumento da produção e exportação de droga do Afeganistão explica-se pelo papel que ali têm os chamados senhores da guerra. O governo de Cabul fez um acordo com os senhores da guerra. Estes podiam repartir-se e controlar partes do país e em troca deixavam o controle da capital para o presidente Amid Karzai e garantiam uma rota segura de oleodutos entre o Cáucaso e o Paquistão.
Os EUA conseguiram assim o seu principal objectivo a existência e funcionamento do oleoduto que permite o controle do petróleo e do gás da Ásia Central. O país vive num feudalismo mais acentuado do que aquele que tinha antes de finais da década de 1970.
Amid Karzai impôs um governo interino controlado pelo Pentágono. Dez dos seus ministros têm nacionalidade americana. Karzai conserva contactos com a sua aparentemente ex empresa Unocal, uma das encarregadas de transportar o petróleo do Kasaquistão até ao Índico.
O negócio serve todas as partes envolvidas. Daí o silêncio que tem reinado sobre o que se passa naquela região do mundo.
Neoconservadorismo
O neoconservadorismo está a espalhar-se a nível mundial. Tem origem nos EUA e vai colhendo adeptos por todo o mundo que tem relações com os EUA. Em Portugal tem forte acolhimento nos indivíduos que dirigem os media ditos de referência.
Os inspiradores do neoconservadorismo vieram da extrema-esquerda. Tornaram-se anticomunistas primários. Construíram o seu ideário nos anos oitenta e noventa e chegaram ao poder com Bush.
O seu ideário caracteriza-se pela simplicidade. Os seus princípios são vagos de modo a poderem adaptar-se a cada país.
Das suas origens «revolucionárias» trouxeram o gosto pela radicalidade e pelo politicamente incorrecto. Desenvolvem uma verdadeira «guerrilha social».
Como resumir o ideário neoconservador?
Afirma que a América é um país fora de série quer pela sua origem quer pelo seu destino. Ela é moralmente superior aos outros países. O nacionalismo e o patriotismo bom para a América é indispensável aos outros países do mundo. Mas o nacionalismo e o patriotismo à maneira de outros países não é bom nem para o mundo nem para a América.
A superioridade moral da América está permanentemente ameaçada por inimigos internos e externos. Tem de ser defendida por todos os meios. A sua defesa não tem limites. Exercida a acção de defesa da superioridade moral americana devem ser encontradas as justificações para tal ocorrência. Primeiro faz-se e depois justifica-se. Não tem de haver coerência o que tem é de haver resultados.
Os inimigos externos querem destruir a América ou querem rivalizar com ela. Esses inimigos devem ser ou destruídos ou divididos. Os EUA só reconhecem as soberanias que sirvam a sua própria soberania, visto que a sua soberania é global e é para exercer a nível mundial.
O inimigo interno é tudo o que seja social e colectivo. Lutam contra os acordos sociais, contra as políticas sociais e as concepções de democracia que defendem direitos colectivos ou públicos.
Os lemas são: eficácia; privatizações; o mercado como critério de vida; descentralização como forma de desmontagem do Estado; consideração dos pobres como fracassos sociais, indignos; avaliação de modo a separar e excluir os que não servem aos padrões instituídos pelo mercado.
Para manterem a população sobre controle os neoconservadores mantêm-na em constante estado de insegurança, de ameaça, de ansiedade. Por isso entendem dever apoquentar as populações com notícias sobre as ameaças mais mirabolantes. Terrorismo vindo do Médio Oriente, pragas vindas de África, doenças contagiosas vindas da Ásia, ameaças económicas e políticas vindas da velha Europa, servem para criar o pânico e ao mesmo tempo construir os inimigos e criar a coesão interna face ao inimigo externo.
A população dos EUA é mantida sob controle através de uma visão apocalíptica do mundo. A insegurança assim causada facilita a aceitação dos cortes no orçamento das áreas sociais e o desvio desses fundos para a indústria de armamento, para a guerra e para o domínio de povos e espaços externos.
Os inspiradores do neoconservadorismo vieram da extrema-esquerda. Tornaram-se anticomunistas primários. Construíram o seu ideário nos anos oitenta e noventa e chegaram ao poder com Bush.
O seu ideário caracteriza-se pela simplicidade. Os seus princípios são vagos de modo a poderem adaptar-se a cada país.
Das suas origens «revolucionárias» trouxeram o gosto pela radicalidade e pelo politicamente incorrecto. Desenvolvem uma verdadeira «guerrilha social».
Como resumir o ideário neoconservador?
Afirma que a América é um país fora de série quer pela sua origem quer pelo seu destino. Ela é moralmente superior aos outros países. O nacionalismo e o patriotismo bom para a América é indispensável aos outros países do mundo. Mas o nacionalismo e o patriotismo à maneira de outros países não é bom nem para o mundo nem para a América.
A superioridade moral da América está permanentemente ameaçada por inimigos internos e externos. Tem de ser defendida por todos os meios. A sua defesa não tem limites. Exercida a acção de defesa da superioridade moral americana devem ser encontradas as justificações para tal ocorrência. Primeiro faz-se e depois justifica-se. Não tem de haver coerência o que tem é de haver resultados.
Os inimigos externos querem destruir a América ou querem rivalizar com ela. Esses inimigos devem ser ou destruídos ou divididos. Os EUA só reconhecem as soberanias que sirvam a sua própria soberania, visto que a sua soberania é global e é para exercer a nível mundial.
O inimigo interno é tudo o que seja social e colectivo. Lutam contra os acordos sociais, contra as políticas sociais e as concepções de democracia que defendem direitos colectivos ou públicos.
Os lemas são: eficácia; privatizações; o mercado como critério de vida; descentralização como forma de desmontagem do Estado; consideração dos pobres como fracassos sociais, indignos; avaliação de modo a separar e excluir os que não servem aos padrões instituídos pelo mercado.
Para manterem a população sobre controle os neoconservadores mantêm-na em constante estado de insegurança, de ameaça, de ansiedade. Por isso entendem dever apoquentar as populações com notícias sobre as ameaças mais mirabolantes. Terrorismo vindo do Médio Oriente, pragas vindas de África, doenças contagiosas vindas da Ásia, ameaças económicas e políticas vindas da velha Europa, servem para criar o pânico e ao mesmo tempo construir os inimigos e criar a coesão interna face ao inimigo externo.
A população dos EUA é mantida sob controle através de uma visão apocalíptica do mundo. A insegurança assim causada facilita a aceitação dos cortes no orçamento das áreas sociais e o desvio desses fundos para a indústria de armamento, para a guerra e para o domínio de povos e espaços externos.