30.10.03
Reformar a sociedade
É tempo de por a «sociedade ao serviço da escola», em vez da «escola ao serviço da sociedade». (A. Jacquard)
Não vale a pena teimar em reformar as escolas porque o que é preciso é reformar a sociedade. Importa actuar a montante e a jusante da escola: na família, no meio social, no acesso ao trabalho, na remuneração deste, no mundo produtivo, nas carreiras, nas profissões, na produção, no usufruto cultural.
Importa ainda livrar a escola de toda a ganga que para lá atiraram nas últimas décadas. Voltar a dar-lhe funções mais restritas, precisas e exigentes: produzir e promover a aquisição de conhecimentos, de saber e educar.
É preciso preparar os professores profissionalmente, quer dizer, não podem ser uns «faz tudo», mas têm de ser profissionais da educação e do ensino que eduquem, instruam, socializem, qualifiquem jovens e adultos.
Exija-se portanto que a reforma se centre na sociedade. Que se ataquem as profundas desigualdades sociais. Se combatam as exclusões, a miséria, os baixos salários, a baixa qualificação das populações, a incivilidade, a degradação das organizações políticas e sociais a começar pela família.
Não adianta preparar matemáticos, físicos, biólogos, filósofos, engenheiros… se não existe actividade científica e técnica em Portugal e o nível de desenvolvimento das nossas empresas é a miséria que todos conhecem.
Não vale a pena teimar em reformar as escolas porque o que é preciso é reformar a sociedade. Importa actuar a montante e a jusante da escola: na família, no meio social, no acesso ao trabalho, na remuneração deste, no mundo produtivo, nas carreiras, nas profissões, na produção, no usufruto cultural.
Importa ainda livrar a escola de toda a ganga que para lá atiraram nas últimas décadas. Voltar a dar-lhe funções mais restritas, precisas e exigentes: produzir e promover a aquisição de conhecimentos, de saber e educar.
É preciso preparar os professores profissionalmente, quer dizer, não podem ser uns «faz tudo», mas têm de ser profissionais da educação e do ensino que eduquem, instruam, socializem, qualifiquem jovens e adultos.
Exija-se portanto que a reforma se centre na sociedade. Que se ataquem as profundas desigualdades sociais. Se combatam as exclusões, a miséria, os baixos salários, a baixa qualificação das populações, a incivilidade, a degradação das organizações políticas e sociais a começar pela família.
Não adianta preparar matemáticos, físicos, biólogos, filósofos, engenheiros… se não existe actividade científica e técnica em Portugal e o nível de desenvolvimento das nossas empresas é a miséria que todos conhecem.
Agrupamentos de escolas
O Ministério da Educação impõe o agrupamento de escolas que não possuem nenhum traço entre si, seja ele de natureza ideológica, cultural ou pedagógica. Mistura pessoas que nunca se viram nem desejam ver-se. Mistura pessoas que se ignoram no essencial das suas convicções sejam elas organizacionais, emocionais ou de um qualquer aspecto de natureza educativa. Impõe o agrupamento de escolas numa lógica burocrática, ao quarteirão, apenas com a finalidade de poupar uns trocos ao Orçamento de Estado. Os agrupamentos de escolas, assim promovidos, são em tudo idênticos aos agrupamentos de fabriquetas de calçado ou de actividades afins. O ME não tem a mínima noção da realidade. Não entende o que é um projecto construído, desejado, partilhado pelos que têm o dever de o executar. É como se o amor pudesse ser imposto por decreto ou por uma qualquer circular regulamentadora.
28.10.03
Arafat popular entre os palestinianos
Oitenta e cinco por cento dos palestinianos estão satisfeitos com os resultados obtidos pelo presidente da Autoridade Palestiniana Yasser Arafat, segundo uma sondagem publicada pela Universidade Palestina Bir Zeit, da Cisjordânia.
A sondagem revela que 63% dos palestinianos "consideram positivos os resultados obtidos por Yasser Arafat", enquanto que 24% os consideram "satisfatórios" e apenas 10% acham que são negativos.
Apesar da popularidade de Arafat, a Fatah, o seu movimento, conta apenas com o apoio de 29% dos entrevistados.
Esta sondagem foi feita com 1.200 pessoas representativas da população dos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e tem uma margem de erro de 3%.
A sondagem revela que 63% dos palestinianos "consideram positivos os resultados obtidos por Yasser Arafat", enquanto que 24% os consideram "satisfatórios" e apenas 10% acham que são negativos.
Apesar da popularidade de Arafat, a Fatah, o seu movimento, conta apenas com o apoio de 29% dos entrevistados.
Esta sondagem foi feita com 1.200 pessoas representativas da população dos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e tem uma margem de erro de 3%.
Estudantes ingleses manifestam-se contra o aumento de propinas
Milhares de estudantes manifestaram-se no Domingo, em Londres, em protesto contra o projecto do governo de Tony Blair de triplicar o custo das propinas em universidades como Oxford e Cambridge.
O projecto do governo quer fixar as propinas nas grandes universidades britânicas em 3.000 libras (4.350 euros) por ano, com o pretexto de lhes permitir investir e desenvolver-se.
Tony Blair insiste que este aumento é necessário para permitir às universidades inglesas serem competitivas face às suas congéneres estrangeiras.
Actualmente os estudantes pagam um máximo de 1.100 libras (1.600 euros) e os estudantes cujo agregado familiar tenha rendimentos inferiores a 20.480 libras (29.700 euros) por ano, estão isentos de pagamento.
Blair é mais um a alimentar a ideia de que o ensino universitário não é um bem público, necessário ao desenvolvimento do país, mas um produto de luxo de interesse meramente individual.
O projecto do governo quer fixar as propinas nas grandes universidades britânicas em 3.000 libras (4.350 euros) por ano, com o pretexto de lhes permitir investir e desenvolver-se.
Tony Blair insiste que este aumento é necessário para permitir às universidades inglesas serem competitivas face às suas congéneres estrangeiras.
Actualmente os estudantes pagam um máximo de 1.100 libras (1.600 euros) e os estudantes cujo agregado familiar tenha rendimentos inferiores a 20.480 libras (29.700 euros) por ano, estão isentos de pagamento.
Blair é mais um a alimentar a ideia de que o ensino universitário não é um bem público, necessário ao desenvolvimento do país, mas um produto de luxo de interesse meramente individual.
26.10.03
Democracias aterrorizam o mundo, diz premiê da Malásia
O primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, acusou países que ele chamou de "grandes praticantes da democracia" de "aterrorizar o mundo".
Falando durante uma visita à cidade de Yogyakarta, na Indonésia, Mahathir tomou o cuidado de não mencionar os nomes dos países a que se referiu, mas recentemente tem se mostrado bastante crítico em relação a Israel, aos Estados Unidos e à Austrália.
"O que nós vemos são Estados realizando uma enorme retaliação não só contra supostos terroristas, mas também à suas famílias, suas casas e seus vilarejos", afirmou o primeiro-ministro.
"Seria ridículo pensar que esses ataques não aterrorizam os inocentes", afirmou.
Polêmico
Os comentários foram os mais recentes de uma série de polêmicas declarações feitas por Mahathir, que deve encerrar o seu mandato de 22 anos no dia 31 de outubro.
Na semana passada, ele fez um discurso em que afirmou que "os judeus mandam no mundo por procuração". O comentário foi criticado por governos de países ocidentais e por grupos judaicos.
No discurso desta quarta-feira, Mahathir também atacou a Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Assim como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a OMC agora está se tornando mais um instrumento para enriquecer os ricos e empobrecer os pobres", concluiu.
BBC-online
Falando durante uma visita à cidade de Yogyakarta, na Indonésia, Mahathir tomou o cuidado de não mencionar os nomes dos países a que se referiu, mas recentemente tem se mostrado bastante crítico em relação a Israel, aos Estados Unidos e à Austrália.
"O que nós vemos são Estados realizando uma enorme retaliação não só contra supostos terroristas, mas também à suas famílias, suas casas e seus vilarejos", afirmou o primeiro-ministro.
"Seria ridículo pensar que esses ataques não aterrorizam os inocentes", afirmou.
Polêmico
Os comentários foram os mais recentes de uma série de polêmicas declarações feitas por Mahathir, que deve encerrar o seu mandato de 22 anos no dia 31 de outubro.
Na semana passada, ele fez um discurso em que afirmou que "os judeus mandam no mundo por procuração". O comentário foi criticado por governos de países ocidentais e por grupos judaicos.
No discurso desta quarta-feira, Mahathir também atacou a Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Assim como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a OMC agora está se tornando mais um instrumento para enriquecer os ricos e empobrecer os pobres", concluiu.
BBC-online
24.10.03
Mercado
O discurso sobre a auto-regulação do mercado é profundamente retórico. No mercado existe cada vez menos concorrência. A concentração e a concertação do controle é cada vez maior. Mesmo no "mercado da política" é cada vez mais evidente o domínio de todos por um só, veja-se o papel dos EUA.
O mercado tem cada vez menos concorrência. Esta só vai subsistindo nos países de economia débil. Nos países "mais desenvolvidos" mesmo quando um sector não está nas mãos de um só, não concorrem, concertam-se. O que fica em concorrência são pequenas actividades mais ou menos desclassificadas.
Todos os discursos sobre os méritos do mercado são falaciosos.
O mercado tem cada vez menos concorrência. Esta só vai subsistindo nos países de economia débil. Nos países "mais desenvolvidos" mesmo quando um sector não está nas mãos de um só, não concorrem, concertam-se. O que fica em concorrência são pequenas actividades mais ou menos desclassificadas.
Todos os discursos sobre os méritos do mercado são falaciosos.
23.10.03
Limpar a bota às calças
Quando se mete o pé na poça não vale a pena limpar o sapato às calças. Mas é isso que os EUA estão a querer fazer com o Iraque. Não são eles apenas a limpar agora as botas às calças, mas querem que o mundo inteiro faça o mesmo.
21.10.03
Portugal no top
Não é verdade que não haja indústrias portuguesas no top mundial. Neste top encontramos a indústria da cortiça e também a do azeite. São duas indústrias que nunca vão ao fundo, por muito que os empresários e o governo para lá as empurrem. Uma terceira indústria nacional em alta, é a da tradução e da cópia. Não há ninguém mais danado para copiar e imitar do que o português. A quarta indústria, agora em pleno florescimento, é a da telepolítica. Um modo de nos alienar e distrair dos problemas reais e de nos tornar ainda mais boçais do que já somos.
Da política
A política já foi uma arte, depois um modo estimulante de raciocinar, agora não é mais do que um exercício mediático rasca.
O Vale e Azevedo da educação falou hoje sobre a sua Lei de Bases
As reformas da educação já não têm qualquer sentido. Agora, o que é necessário, é reinventar um outro sistema educativo para a sociedade do conhecimento. As propostas de Lei de Bases que estão em discussão fazem todas parte do passado. São o problema. Não são a solução para o problema.
É patético ver o Ministro de Educação a falar, com ares de Vale e Azevedo, da sua proposta, como se fosse algo com futuro. E mesmo algo que pode permanecer para lá do seu governito. Tem o nariz tapado. Não lhe cheira a mofo. Não percebe que as suas ideias têm um século de atraso.
É patético ver o Ministro de Educação a falar, com ares de Vale e Azevedo, da sua proposta, como se fosse algo com futuro. E mesmo algo que pode permanecer para lá do seu governito. Tem o nariz tapado. Não lhe cheira a mofo. Não percebe que as suas ideias têm um século de atraso.
19.10.03
Iraque e petróleo
O Banco Mundial (BIRD) e a ONU divulgaram nesta quinta-feira um relatório sobre as necessidades de reconstrução do Iraque, estimadas em 56 biliões de dólares. O relatório cita 14 sectores prioritários, e será apresentado durante a conferência de países contribuintes no final de Outubro em Madrid.
A economia do Iraque sofreu 20 anos de degradação das suas infra-estruturas, do meio ambiente e dos serviços sociais do país.
Os serviços de saúde e educação, antes considerados entre os melhores do Médio Oriente, degradaram-se consideravelmente tanto pelas guerras Irão-Iraque e do Golfo, como, sobretudo, em consequência dos dez anos de bloqueio a que o país foi submetido após a guerra do Golfo.
O rendimento per capita superava os 3.600 dólares no começo dos anos 80 e sofreu uma drástica queda, passando para 770 a 1.020 dólares em 2001, caindo ainda mais nos anos posteriores.
A situação, após a guerra decidida pela administração de Bush, é absolutamente catastrófica.
As actuais forças ocupantes têm esperança que o país, que possui as segundas maiores reservas de petróleo do mundo, possa com a venda deste produto refazer o que foi entretanto destruído e pagar as despesas da guerra.
A economia do Iraque sofreu 20 anos de degradação das suas infra-estruturas, do meio ambiente e dos serviços sociais do país.
Os serviços de saúde e educação, antes considerados entre os melhores do Médio Oriente, degradaram-se consideravelmente tanto pelas guerras Irão-Iraque e do Golfo, como, sobretudo, em consequência dos dez anos de bloqueio a que o país foi submetido após a guerra do Golfo.
O rendimento per capita superava os 3.600 dólares no começo dos anos 80 e sofreu uma drástica queda, passando para 770 a 1.020 dólares em 2001, caindo ainda mais nos anos posteriores.
A situação, após a guerra decidida pela administração de Bush, é absolutamente catastrófica.
As actuais forças ocupantes têm esperança que o país, que possui as segundas maiores reservas de petróleo do mundo, possa com a venda deste produto refazer o que foi entretanto destruído e pagar as despesas da guerra.
O gerencialismo na educação
Associado a outras medidas (liberdade de escolha da escola, reforço dos exames, indiferenciação entre público e privado, competitividade entre escolas, publicação de rankings de escolas) o «gestor profissional» faz-nos regressar a medidas muito populares, em alguns países europeus e nos EUA, nos anos 80. Medidas que entretanto foram por muitos abandonadas dada a sua perversidade.
Esta insistência na importância do «gestor profissional», deriva da ideia de que os problemas que a escola pública apresenta são, grosso modo, problemas de gestão.
Os defensores deste tipo de gestão estão convencidos que todos os problemas se resolvem se as escolas forem dirigidas com pulso de ferro por um gestor que tenha como referência a racionalidade técnica e a eficácia e eficiência que atribuem à gestão empresarial.
Entretanto a escola portuguesa continua fortemente centralizada. A 5 de Outubro e os seus tentáculos regionais — as DRE — dominam tudo. Dos programas e currículos ao vidro que se parte e que é necessário recolocar, passando pelo rolo de papel higiénico, tudo tem de passar e emanar da cabeça do polvo.
Neste quadro centralizado, o futuro «gestor profissional», não será mais do que a ventosa que fixa o polvo à escola. Será o comissário político do Ministério da Educação.
Esta concepção gerencialista considera a autonomia como a mera transferência de algumas competências técnicas, responsabilidades e encargos do Estado para a escola. É o contrário da concepção de uma verdadeira autonomia das escolas. Esta defende para as escolas e comunidades educativas, o direito de construirem e de porem em prática políticas educativas centradas nas escolas e dirigidas aos alunos que as frequentam.
Desde o 25 de Abril que a verdadeira direcção das escolas se encontra fora delas. Desde o 25 de Abril que nos falta gestão democrática. No modelo ainda em vigor a direcção efectiva das escolas continua a estar na 5 de Outubro e nas direcções regionais de educação. Um dos problemas fundamentais do nosso sistema educativo tem sido este centralismo sufocante. Esta falta de confiança nos que trabalham e querem governar as escolas.
Tem sido este centralismo a impedir que cada escola assuma a construção e a direcção das políticas educativas e de gestão que lhe são mais convenientes. E tem sido ele a negar às escolas os recursos necessários ao seu desenvolvimento. No entanto, foi à custa dos órgãos eleitos nas escolas, que foi possível fazê-las sobreviver e ultrapassar todos os obstáculos inerentes à explosão escolar que atravessou a escola portuguesa nas décadas de setenta e oitenta. Existe, pois, um capital de experiência e uma tradição que poderia abrir portas a um verdadeiro processo de desenvolvimento da autonomia das escolas. É esse o caminho que o actual Governo se nega a seguir e quer contrariar.
As escolas portuguesas não têm falta de gestores profissionais. Menos ainda de uma gestão fabril, comercial ou de feirante nas escolas. O que falta à nossa escola é autonomia e democracia representativa e participada. O problema maior é o de as nossas escolas não se poderem governar democraticamente. E é o de faltar autonomia e poder efectivo às comunidades educativas.
Os problemas das escolas serão mais fáceis de resolver num quadro de democracia representativa e participada. Não se resolvem com a manutenção do sistema centralizado e, menos ainda, com a introdução nas escolas de um corpo estranho com a finalidade de as controlar.
Esta insistência na importância do «gestor profissional», deriva da ideia de que os problemas que a escola pública apresenta são, grosso modo, problemas de gestão.
Os defensores deste tipo de gestão estão convencidos que todos os problemas se resolvem se as escolas forem dirigidas com pulso de ferro por um gestor que tenha como referência a racionalidade técnica e a eficácia e eficiência que atribuem à gestão empresarial.
Entretanto a escola portuguesa continua fortemente centralizada. A 5 de Outubro e os seus tentáculos regionais — as DRE — dominam tudo. Dos programas e currículos ao vidro que se parte e que é necessário recolocar, passando pelo rolo de papel higiénico, tudo tem de passar e emanar da cabeça do polvo.
Neste quadro centralizado, o futuro «gestor profissional», não será mais do que a ventosa que fixa o polvo à escola. Será o comissário político do Ministério da Educação.
Esta concepção gerencialista considera a autonomia como a mera transferência de algumas competências técnicas, responsabilidades e encargos do Estado para a escola. É o contrário da concepção de uma verdadeira autonomia das escolas. Esta defende para as escolas e comunidades educativas, o direito de construirem e de porem em prática políticas educativas centradas nas escolas e dirigidas aos alunos que as frequentam.
Desde o 25 de Abril que a verdadeira direcção das escolas se encontra fora delas. Desde o 25 de Abril que nos falta gestão democrática. No modelo ainda em vigor a direcção efectiva das escolas continua a estar na 5 de Outubro e nas direcções regionais de educação. Um dos problemas fundamentais do nosso sistema educativo tem sido este centralismo sufocante. Esta falta de confiança nos que trabalham e querem governar as escolas.
Tem sido este centralismo a impedir que cada escola assuma a construção e a direcção das políticas educativas e de gestão que lhe são mais convenientes. E tem sido ele a negar às escolas os recursos necessários ao seu desenvolvimento. No entanto, foi à custa dos órgãos eleitos nas escolas, que foi possível fazê-las sobreviver e ultrapassar todos os obstáculos inerentes à explosão escolar que atravessou a escola portuguesa nas décadas de setenta e oitenta. Existe, pois, um capital de experiência e uma tradição que poderia abrir portas a um verdadeiro processo de desenvolvimento da autonomia das escolas. É esse o caminho que o actual Governo se nega a seguir e quer contrariar.
As escolas portuguesas não têm falta de gestores profissionais. Menos ainda de uma gestão fabril, comercial ou de feirante nas escolas. O que falta à nossa escola é autonomia e democracia representativa e participada. O problema maior é o de as nossas escolas não se poderem governar democraticamente. E é o de faltar autonomia e poder efectivo às comunidades educativas.
Os problemas das escolas serão mais fáceis de resolver num quadro de democracia representativa e participada. Não se resolvem com a manutenção do sistema centralizado e, menos ainda, com a introdução nas escolas de um corpo estranho com a finalidade de as controlar.
17.10.03
Desenhos animados levam ao suicídio
Duas crianças chilenas, de 13 e 9 anos, morreram enforcadas, supostamente sob a influência da série japonesa de animação "Yugi Oh", afirmam os seus familiares.
"Tudo indica que as duas crianças se enforcaram com a ideia de ter poderes suficientes que os levassem a ressuscitar ainda com mais poderes", disse a deputada Laura Soto, ao recolher a versão dos familiares dos meninos.
A legisladora apresentou na véspera um projecto de lei "com carácter de urgência" para exigir ao Conselho Nacional de Televisão que tire do ar a série "Yugi Oh", uma das mais populares entre as crianças chilenas.
À série de desenhos animados seguiu-se o lançamento de um jogo de cartas com ilustrações dos personagens, que apresenta um "duelo de monstros" e tem como protagonista um menino que tenta recuperar a alma de seu avô.
No jogo, os jogadores ou "duelistas" lutam usando criaturas mágicas e monstros.
"As crianças precisam de se enforcar e depois, quando 13 crianças tiverem morrido, elas renascem com mais poderes", explicou a deputada.
As mortes ocorreram nas últimas três semanas e os meninos, de 13 e 9 anos, viviam no porto de Valparaíso, 120 km a oeste de Santiago.
O corpo de um deles foi encontrado pendurado com uma corda à volta do pescoço no quarto de banho da sua casa, enquanto o outro se enforcou com uma camisola, a qual prendeu à cama do quarto.
"O meu filho não tinha motivos para se suicidar. Era um menino feliz e bom aluno", disse à imprensa o pai de uma das crianças.
O chefe da polícia encarregado da investigação, Roberto Salinas, disse que os meninos eram viciados no programa de televisão e nos jogos com conteúdos violentos.
"Achamos que num gesto de imitação, ocorreu o acidente que lhes custou a vida", informou Salinas.
O Conselho Nacional de Televisão ainda não se pronunciou sobre o tema, embora no início do ano tenha advertido que 76% dos desenhos animados exibidos para crianças com idades entre 6 e 10 anos continham violência.
Fonte: AFP
"Tudo indica que as duas crianças se enforcaram com a ideia de ter poderes suficientes que os levassem a ressuscitar ainda com mais poderes", disse a deputada Laura Soto, ao recolher a versão dos familiares dos meninos.
A legisladora apresentou na véspera um projecto de lei "com carácter de urgência" para exigir ao Conselho Nacional de Televisão que tire do ar a série "Yugi Oh", uma das mais populares entre as crianças chilenas.
À série de desenhos animados seguiu-se o lançamento de um jogo de cartas com ilustrações dos personagens, que apresenta um "duelo de monstros" e tem como protagonista um menino que tenta recuperar a alma de seu avô.
No jogo, os jogadores ou "duelistas" lutam usando criaturas mágicas e monstros.
"As crianças precisam de se enforcar e depois, quando 13 crianças tiverem morrido, elas renascem com mais poderes", explicou a deputada.
As mortes ocorreram nas últimas três semanas e os meninos, de 13 e 9 anos, viviam no porto de Valparaíso, 120 km a oeste de Santiago.
O corpo de um deles foi encontrado pendurado com uma corda à volta do pescoço no quarto de banho da sua casa, enquanto o outro se enforcou com uma camisola, a qual prendeu à cama do quarto.
"O meu filho não tinha motivos para se suicidar. Era um menino feliz e bom aluno", disse à imprensa o pai de uma das crianças.
O chefe da polícia encarregado da investigação, Roberto Salinas, disse que os meninos eram viciados no programa de televisão e nos jogos com conteúdos violentos.
"Achamos que num gesto de imitação, ocorreu o acidente que lhes custou a vida", informou Salinas.
O Conselho Nacional de Televisão ainda não se pronunciou sobre o tema, embora no início do ano tenha advertido que 76% dos desenhos animados exibidos para crianças com idades entre 6 e 10 anos continham violência.
Fonte: AFP
11.10.03
Salários
Repito:
1. Se há dinheiro para mandar "tropas" para o Iraque, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
2. Se há dinheiro para baixar os impostos ao patronato, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
3. Se há dinheiro para comprar uma dúzia de helicópteros, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
4. Se há dinheiro para comprar submarinos, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
5. Se há dinheiro para o Euro 2004, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
6. Se há dinheiro para novos incentivos fiscais aos empresários, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
7. Se há dinheiro para deixar continuar a fuga aos impostos, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
8. Se há dinheiro … É tudo uma questão de prioridades.
1. Se há dinheiro para mandar "tropas" para o Iraque, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
2. Se há dinheiro para baixar os impostos ao patronato, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
3. Se há dinheiro para comprar uma dúzia de helicópteros, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
4. Se há dinheiro para comprar submarinos, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
5. Se há dinheiro para o Euro 2004, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
6. Se há dinheiro para novos incentivos fiscais aos empresários, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
7. Se há dinheiro para deixar continuar a fuga aos impostos, tem de haver dinheiro para rever os salários dos trabalhadores portugueses.
8. Se há dinheiro … É tudo uma questão de prioridades.
Pouco habilitados
Os trabalhadores portugueses são os que têm menos habilitações no grupo dos 25 países da futura União Europeia. A média educacional dos patrões portugueses é inferior à média educacional dos trabalhadores.
Considerando os 25 países da futura União Europeia, Portugal é o país com a maior percentagem de trabalhadores com poucas habilitações.
78% da população portuguesa em idade de trabalhar (entre os 15 e os 65 anos de idade) têm um nível "baixo" de formação educacional.
A média educacional dos 25 países é 36,6%. Portugal tem, assim, mais do dobro de pouco habilitados dos 25.
A distribuição das habilitações entre os trabalhadores portugueses é a seguinte: baixa 78%, média 14,1% e elevada 8%.
Países com menores habilitações:
Portugal (78), Espanha (57), Itália (56), Grécia (47), Bélgica (41)
No que respeita a salários, Portugal mantém a sua posição de último entre os 15. Os trabalhadores portugueses são os que ganham menos entre os 15 membros da União Europeia (na indústria e serviços 950 euros em Portugal e 3000 na Dinamarca e Inglaterra).
Recorde-se que o nível médio educacional dos patrões portugueses é inferior ao dos trabalhadores portugueses. Já no que respeita a rendimentos os patrões portugueses, no quadro europeu, estão no patamar alto. Isto é, sabem pouco mas ganham muito.
Se com esta realidade é difícil aos trabalhadores portugueses competirem no mercado de trabalho o que se poderá dizer dos patrões portugueses?
Não é conhecida nenhuma medida do governo para ultrapassar este atraso estrutural de fundo. Acreditam em bruxas, isto é, que o mercado vai resolver tudo.
Considerando os 25 países da futura União Europeia, Portugal é o país com a maior percentagem de trabalhadores com poucas habilitações.
78% da população portuguesa em idade de trabalhar (entre os 15 e os 65 anos de idade) têm um nível "baixo" de formação educacional.
A média educacional dos 25 países é 36,6%. Portugal tem, assim, mais do dobro de pouco habilitados dos 25.
A distribuição das habilitações entre os trabalhadores portugueses é a seguinte: baixa 78%, média 14,1% e elevada 8%.
Países com menores habilitações:
Portugal (78), Espanha (57), Itália (56), Grécia (47), Bélgica (41)
No que respeita a salários, Portugal mantém a sua posição de último entre os 15. Os trabalhadores portugueses são os que ganham menos entre os 15 membros da União Europeia (na indústria e serviços 950 euros em Portugal e 3000 na Dinamarca e Inglaterra).
Recorde-se que o nível médio educacional dos patrões portugueses é inferior ao dos trabalhadores portugueses. Já no que respeita a rendimentos os patrões portugueses, no quadro europeu, estão no patamar alto. Isto é, sabem pouco mas ganham muito.
Se com esta realidade é difícil aos trabalhadores portugueses competirem no mercado de trabalho o que se poderá dizer dos patrões portugueses?
Não é conhecida nenhuma medida do governo para ultrapassar este atraso estrutural de fundo. Acreditam em bruxas, isto é, que o mercado vai resolver tudo.
9.10.03
Os pais e a escola pública
Ao contrário do que afirmam os donos da opinião pública, os pais não estão desesperados e amargurados com a escola dos filhos. Pelo contrário, existe alguma satisfação com os professores e a direcção das escolas.
Da última sondagem realizada pela Universidade Católica sobre o ensino em Portugal, salienta-se:
— Em relação às condições da escola pública os pais atribuem em média 3,5 na escala de 0 a 5
— Em relação ao grau de satisfação com os professores a média oscila entre o 3,8 e o 4 na escala de 0 a 5
— 90,7% das crianças e jovens frequentam o ensino público e 8,7% o ensino privado.
— 2/3 dos inquiridos afirmam que os filhos estão na escola que eles querem.
— O grau de satisfação com a escola (na escola pública) varia entre o 3,3 e 3,6
— Por os filhos a trabalhar após concluírem o ensino básico só é opção para 1,5% dos pais
— Menos de 6% querem que os filhos terminem os estudos no 12º ano
— 93% esperam que os filhos continuem depois do 12º ano
— A maior preocupação dos pais é com o futuro profissional dos filhos.
Mais de 50% dos pais entendem que as turmas são demasiado grandes. Consideram que o ideal rondaria os 18 alunos/professor
Da última sondagem realizada pela Universidade Católica sobre o ensino em Portugal, salienta-se:
— Em relação às condições da escola pública os pais atribuem em média 3,5 na escala de 0 a 5
— Em relação ao grau de satisfação com os professores a média oscila entre o 3,8 e o 4 na escala de 0 a 5
— 90,7% das crianças e jovens frequentam o ensino público e 8,7% o ensino privado.
— 2/3 dos inquiridos afirmam que os filhos estão na escola que eles querem.
— O grau de satisfação com a escola (na escola pública) varia entre o 3,3 e 3,6
— Por os filhos a trabalhar após concluírem o ensino básico só é opção para 1,5% dos pais
— Menos de 6% querem que os filhos terminem os estudos no 12º ano
— 93% esperam que os filhos continuem depois do 12º ano
— A maior preocupação dos pais é com o futuro profissional dos filhos.
Mais de 50% dos pais entendem que as turmas são demasiado grandes. Consideram que o ideal rondaria os 18 alunos/professor
Nove Benfiquistas para a UEFA
Dez portugueses estão entre os 250 futebolistas nomeados para escolher os melhores 50 das últimas cinco décadas.
Dos dez, apenas um, Luís Figo, não foi jogador do Benfica.
A lista:
1954 - 63: Costa Pereira (Benfica); José Águas (Benfica); e Germano (Benfica).
1964 - 73: Coluna (Benfica); José Augusto (Benfica); Eusébio (Benfica); José Torres (Benfica).
1984 - 93: Paulo Futre (Sporting, Porto, Benfica, Atlético Madrid).
1994 - 03: Luís Figo (Sporting, Barcelona, Real Madrid); Rui Costa (Benfica, Fiorentina, AC Milan).
Dos dez, apenas um, Luís Figo, não foi jogador do Benfica.
A lista:
1954 - 63: Costa Pereira (Benfica); José Águas (Benfica); e Germano (Benfica).
1964 - 73: Coluna (Benfica); José Augusto (Benfica); Eusébio (Benfica); José Torres (Benfica).
1984 - 93: Paulo Futre (Sporting, Porto, Benfica, Atlético Madrid).
1994 - 03: Luís Figo (Sporting, Barcelona, Real Madrid); Rui Costa (Benfica, Fiorentina, AC Milan).
João ratão vai à guerra
O texto que se segue foi escrito em Julho. Portugal preparava-se para entrar na guerra do Iraque. Volto a publicar com uma actualização.
SOUBE-SE QUE PORTUGAL VAI MANDAR PARA A GUERRA DO IARAQUE JOÃO RATÃO. A PARTIDA AGUARDA APENAS POR TREINO E ARMAMENTO ADEQUADO.
Depois de muita hesitação o Governo decidiu: João Ratão vai para a guerra. Portugal resolve assim um problema delicado. De facto, a divergência entre o Presidente da República e o Governo era evidente. O presidente não estava de acordo com a participação das forças armadas e, como se sabe, estas estão sob o seu comando. Já José, em nome do Governo, estava empenhado em responder aos desejos de George, o seu amigo americano e queria que Portugal participasse na guerra. Perante o dilema surgiu uma solução de compromisso. Não vão soldados em barda mas vai João Ratão. Deste modo ficam salvas as posições de cada uma das partes. O presidente leva avante a sua posição de impedir a participação militar de Portugal, fora do quadro da ONU, e José e o Governo respondem a um desejo do seu novo amigo e aliado.
A única dificuldade que agora pode atrasar a partida da nossa força é a de reunir o armamento necessário a João Ratão. Como se sabe, este é eficaz no olfacto, na utilização dos dentes e na corrida rápida para os esconderijos. O Ministro da Defesa já tomou providências. Em relação ao olfacto está em preparação equipamento capaz de resolver problemas que possam surgir, tais como constipações, que ponham em causa a eficiência do nosso combatente. Está também a ser reunido equipamento adequado à manutenção dos dentes de João Ratão em bom estado. Dois pares de sapatilhas especiais estão a ser produzidas numa fábrica em São João da Madeira. A partida anuncia-se para breve.
O ministro da defesa, já hoje, em conferência de imprensa, manifestou o seu orgulho por ter sido possível encontrar, nas forças armadas, um especialista em operações especiais como é João Ratão. O ministro afirmou que «são factos como este que reforçam o prestígio do nosso país e levam a NATO a entregar-nos o comando das operações de resposta rápida. Quem melhor que João Ratão para se escapar com rapidez?» perguntou o ministro.
O Presidente da República manifestou também a sua satisfação pela solução encontrada. «Parece-me que esta coisa de irmos mas não irmos é uma boa solução consensual», disse. Já o primeiro ministro afirmou, hoje, após a inauguração de uma pocilga em Algueirões, que Portugal está na primeira linha da luta contra o terrorismo. «Estou certo que a solução João Ratão é uma solução de grande dignidade nacional que satisfará plenamente os nossos aliados» afirmou.
Em treinos intensivos, até ao fecho desta edição não foi possível ouvir João Ratão, o rato mais rato da península.
José Paulo Serralheiro; Julho 2003
Entretanto passaram-se meses. E João Ratão treinou, treinou, treinou… e ficou
Hoje parece estar consumado mais um adiamento. O ministro promete a partida lá para Novembro. João Ratão está cansado dos treinos. Envelhecido. Corre o risco de ficar trôpego de velho antes de partir.
O ministro diz que agora o problema não é de cá, é de lá. É preciso que construam lá um abrigo para João Ratão.
Entretanto João Ratão sabe ter agora mais um problema. Treinou-se, e equipou-se, para o pico do Verão e agora vai apanhar o pico do Inverno. É preciso rever tudo. Pensa-se na necessidade de novos equipamentos. É sabido que o olfacto varia consoante o clima. Depois, todo este tempo de espera… O nosso especialista em operações especiais, de policiamento e ordem na desordem ou de desordem na ordem, decididamente envelheceu. Queixa-se de estar já a ver mal ao perto. Mais uma espera e João Ratão vai ter de ser equipado com óculos de lentes progressivas. Com tanto adiamento João Ratão corre o risco de passar à reforma antes de partir para a guerra.
José também anda murcho. As coisas por casa, em familia, não lhe têm corrido bem. Os ministros tropeliam. O país emperra.
De fora também nada de bom. Blair, com a casa a arder, não diz nada. Nem um telefonema. George, agora preocupado com a reeleição, não lhe ligada. Até parece que já o esqueceu!
Do Iraque também nada de animador. Os soldados caem como tordos. Armas? Nem um pacote de soda aparece! Nem um yogurte estragado! Nem uma pá de cal viva! Nem um miserável frasquinho de insecticida! Nada. Não aparece nenhuma das terríveis armas.
Somos a última esperança. Uma viragem nesta situação, o renovar do optimismo, passará certamente pelo nosso João Ratão. Mesmo estafado pelos meses de treino. Arranjem-lhe lá um abrigo e ele vai lá, com o improviso português, meter aquilo nos eixos. O mundo vai falar de João Ratão e de José. Olá se vai!
SOUBE-SE QUE PORTUGAL VAI MANDAR PARA A GUERRA DO IARAQUE JOÃO RATÃO. A PARTIDA AGUARDA APENAS POR TREINO E ARMAMENTO ADEQUADO.
Depois de muita hesitação o Governo decidiu: João Ratão vai para a guerra. Portugal resolve assim um problema delicado. De facto, a divergência entre o Presidente da República e o Governo era evidente. O presidente não estava de acordo com a participação das forças armadas e, como se sabe, estas estão sob o seu comando. Já José, em nome do Governo, estava empenhado em responder aos desejos de George, o seu amigo americano e queria que Portugal participasse na guerra. Perante o dilema surgiu uma solução de compromisso. Não vão soldados em barda mas vai João Ratão. Deste modo ficam salvas as posições de cada uma das partes. O presidente leva avante a sua posição de impedir a participação militar de Portugal, fora do quadro da ONU, e José e o Governo respondem a um desejo do seu novo amigo e aliado.
A única dificuldade que agora pode atrasar a partida da nossa força é a de reunir o armamento necessário a João Ratão. Como se sabe, este é eficaz no olfacto, na utilização dos dentes e na corrida rápida para os esconderijos. O Ministro da Defesa já tomou providências. Em relação ao olfacto está em preparação equipamento capaz de resolver problemas que possam surgir, tais como constipações, que ponham em causa a eficiência do nosso combatente. Está também a ser reunido equipamento adequado à manutenção dos dentes de João Ratão em bom estado. Dois pares de sapatilhas especiais estão a ser produzidas numa fábrica em São João da Madeira. A partida anuncia-se para breve.
O ministro da defesa, já hoje, em conferência de imprensa, manifestou o seu orgulho por ter sido possível encontrar, nas forças armadas, um especialista em operações especiais como é João Ratão. O ministro afirmou que «são factos como este que reforçam o prestígio do nosso país e levam a NATO a entregar-nos o comando das operações de resposta rápida. Quem melhor que João Ratão para se escapar com rapidez?» perguntou o ministro.
O Presidente da República manifestou também a sua satisfação pela solução encontrada. «Parece-me que esta coisa de irmos mas não irmos é uma boa solução consensual», disse. Já o primeiro ministro afirmou, hoje, após a inauguração de uma pocilga em Algueirões, que Portugal está na primeira linha da luta contra o terrorismo. «Estou certo que a solução João Ratão é uma solução de grande dignidade nacional que satisfará plenamente os nossos aliados» afirmou.
Em treinos intensivos, até ao fecho desta edição não foi possível ouvir João Ratão, o rato mais rato da península.
José Paulo Serralheiro; Julho 2003
Entretanto passaram-se meses. E João Ratão treinou, treinou, treinou… e ficou
Hoje parece estar consumado mais um adiamento. O ministro promete a partida lá para Novembro. João Ratão está cansado dos treinos. Envelhecido. Corre o risco de ficar trôpego de velho antes de partir.
O ministro diz que agora o problema não é de cá, é de lá. É preciso que construam lá um abrigo para João Ratão.
Entretanto João Ratão sabe ter agora mais um problema. Treinou-se, e equipou-se, para o pico do Verão e agora vai apanhar o pico do Inverno. É preciso rever tudo. Pensa-se na necessidade de novos equipamentos. É sabido que o olfacto varia consoante o clima. Depois, todo este tempo de espera… O nosso especialista em operações especiais, de policiamento e ordem na desordem ou de desordem na ordem, decididamente envelheceu. Queixa-se de estar já a ver mal ao perto. Mais uma espera e João Ratão vai ter de ser equipado com óculos de lentes progressivas. Com tanto adiamento João Ratão corre o risco de passar à reforma antes de partir para a guerra.
José também anda murcho. As coisas por casa, em familia, não lhe têm corrido bem. Os ministros tropeliam. O país emperra.
De fora também nada de bom. Blair, com a casa a arder, não diz nada. Nem um telefonema. George, agora preocupado com a reeleição, não lhe ligada. Até parece que já o esqueceu!
Do Iraque também nada de animador. Os soldados caem como tordos. Armas? Nem um pacote de soda aparece! Nem um yogurte estragado! Nem uma pá de cal viva! Nem um miserável frasquinho de insecticida! Nada. Não aparece nenhuma das terríveis armas.
Somos a última esperança. Uma viragem nesta situação, o renovar do optimismo, passará certamente pelo nosso João Ratão. Mesmo estafado pelos meses de treino. Arranjem-lhe lá um abrigo e ele vai lá, com o improviso português, meter aquilo nos eixos. O mundo vai falar de João Ratão e de José. Olá se vai!
6.10.03
Pegando galinhas...
Desta vez não traduzo para o português de Portugal. Julgo que perderia a piada. O meu amigo Paulo Sgarbi, do Rio de Janeiro, fez-me chegar a história que se segue:
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.
- Que vida mansa, heim, vagabundo ? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
- Não era para mim não. Era para vender.
- Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
- Mas eu vendia mais caro.
- Mais caro?
- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
- Mas eram as mesmas galinhas, safado.
- Os ovos das minhas eu pintava.
- Que grande pilantra...
Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.
- Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
- Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
- E o que você faz com o lucro do seu negócio?
- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros.
Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:
- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
- Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
- Às vezes. Sabe como é.
- Não sei não, excelência. Me explique.
- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
- O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
- Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes..."
Luis Fernando Veríssimo
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.
- Que vida mansa, heim, vagabundo ? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
- Não era para mim não. Era para vender.
- Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
- Mas eu vendia mais caro.
- Mais caro?
- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
- Mas eram as mesmas galinhas, safado.
- Os ovos das minhas eu pintava.
- Que grande pilantra...
Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.
- Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
- Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
- E o que você faz com o lucro do seu negócio?
- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros.
Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:
- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
- Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
- Às vezes. Sabe como é.
- Não sei não, excelência. Me explique.
- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
- O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
- Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes..."
Luis Fernando Veríssimo
Não Se Faz...
Julgo que o jornalista Joaquim Fidalgo e o PÚBLICO não levarão a mal que eu aqui transcreva um comentário escrito pelo referido jornalista e publicado precisamente no PÚBLICO no passado dia 01 de Outubro. Tem a ver com os Rankings das escolas. Os tais que o ministro e seus acólitos teimam em dizer que mostram onde estão os bons e os maus professores, os bons e os maus gestores! Os tais que permitem premiar os bons e envergonhar os maus. Ora leiam:
Se todas as escolas deste país fossem Colégios Sãos Joões de Britos, muita gente ficava satisfeita. Vinha tudo bem colocado nos "rankings", as notas de exame eram mais que aceitáveis e até fazíamos um figurão nas estatísticas europeias onde costumamos ficar mal.
Em contrapartida, se todas as escolas deste país fossem Colégios Sãos Joões de Britos, também muita gente ficava triste. Quem? Os meninos e meninas deste país que nem passariam a porta da escola, impossibilitados de aprender ou estudar o mínimo que fosse. Porque, se todas as escolas fossem como aquela, isso significaria que milhares de jovens ficariam de fora. Porque nos Colégios Sãos Joões de Britos não entra quem quer - só entra quem pode. E poder é uma questão de dinheiro (pelo menos 700 contos por ano, não era o que diziam os jornais?), mas não só de dinheiro: é uma questão de acessibilidade, de família, de contexto sócio-cultural.
Uma pequena notícia do PÚBLICO, no dia em que saíram os "rankings", dizia mais do que muitas listagens e análises. Sabendo que o Colégio São João de Brito, em Lisboa, pertence aos jesuítas, a jornalista Bárbara Wong tentou perceber se outros dois colégios ligados à Companhia de Jesus (o Instituto Nuno Álvares, em Santo Tirso, e o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache) tinham resultados semelhantes. Seria lógico. Se, ao que tantos dizem, o que explica os bons resultados de uma escola é a sua organização, a sua exigência, o seu rigor, o seu modelo, então o "padrão" jesuíta deveria ter sucesso em qualquer sítio do país. Mas... oh!, não era assim... O brilhante 1º lugar da escola de Lisboa estava longíssimo do 164º lugar da de Santo Tirso e do 249º da de Cernache. Então, o que é que mudou? Mudaram os alunos. Aaahhh!...
"O colégio de Coimbra [Cernache] fica num meio paupérrimo", justifica o director do São João de Brito. "É um meio rural, com fraco nível cultural. Teríamos outra posição no 'ranking' se estivéssemos mais próximos de Coimbra." Pois é, se pudessem escolher o meio e seleccionar os alunos... Assim até eu! Quando o nível de partida é baixo, nem as excelentes escolas e os excelentes professores da Companhia de Jesus conseguem grandes resultados. Em Lisboa é outra coisa, os alunos não têm um "fraco nível cultural" - porque, se têm, não entram... O que não acontece nos colégios de Santo Tirso ou de Cernache, ambos com contrato com o Ministério da Educação, que os obriga a receber todos os alunos da zona, fazendo as vezes da escola pública.
Isto é uma amostra de como os "rankings" têm que se lhes diga e podem ser enganadores. Não tenho nada contra o Colégio São João de Brito, que recebe quem quer, e quem paga, e tira boas notas nos exames. Mas também não tenho nada contra a Escola Básica Integrada de Pampilhosa da Serra, que recebe quem quer e quem não quer, se calhar faz um bom trabalho em condições de partida tão desiguais, e tira fracas notas nos exames. O que me custa é vê-las colocadas no mesmo plano, comparadas como se fossem a mesma coisa. E que a uma se "dê" o primeiro lugar e a outra o último deste "campeonato" desigual. Isso não se faz.
JOAQUIM FIDALGO
Quarta-feira, 01 de Outubro de 2003
Se todas as escolas deste país fossem Colégios Sãos Joões de Britos, muita gente ficava satisfeita. Vinha tudo bem colocado nos "rankings", as notas de exame eram mais que aceitáveis e até fazíamos um figurão nas estatísticas europeias onde costumamos ficar mal.
Em contrapartida, se todas as escolas deste país fossem Colégios Sãos Joões de Britos, também muita gente ficava triste. Quem? Os meninos e meninas deste país que nem passariam a porta da escola, impossibilitados de aprender ou estudar o mínimo que fosse. Porque, se todas as escolas fossem como aquela, isso significaria que milhares de jovens ficariam de fora. Porque nos Colégios Sãos Joões de Britos não entra quem quer - só entra quem pode. E poder é uma questão de dinheiro (pelo menos 700 contos por ano, não era o que diziam os jornais?), mas não só de dinheiro: é uma questão de acessibilidade, de família, de contexto sócio-cultural.
Uma pequena notícia do PÚBLICO, no dia em que saíram os "rankings", dizia mais do que muitas listagens e análises. Sabendo que o Colégio São João de Brito, em Lisboa, pertence aos jesuítas, a jornalista Bárbara Wong tentou perceber se outros dois colégios ligados à Companhia de Jesus (o Instituto Nuno Álvares, em Santo Tirso, e o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache) tinham resultados semelhantes. Seria lógico. Se, ao que tantos dizem, o que explica os bons resultados de uma escola é a sua organização, a sua exigência, o seu rigor, o seu modelo, então o "padrão" jesuíta deveria ter sucesso em qualquer sítio do país. Mas... oh!, não era assim... O brilhante 1º lugar da escola de Lisboa estava longíssimo do 164º lugar da de Santo Tirso e do 249º da de Cernache. Então, o que é que mudou? Mudaram os alunos. Aaahhh!...
"O colégio de Coimbra [Cernache] fica num meio paupérrimo", justifica o director do São João de Brito. "É um meio rural, com fraco nível cultural. Teríamos outra posição no 'ranking' se estivéssemos mais próximos de Coimbra." Pois é, se pudessem escolher o meio e seleccionar os alunos... Assim até eu! Quando o nível de partida é baixo, nem as excelentes escolas e os excelentes professores da Companhia de Jesus conseguem grandes resultados. Em Lisboa é outra coisa, os alunos não têm um "fraco nível cultural" - porque, se têm, não entram... O que não acontece nos colégios de Santo Tirso ou de Cernache, ambos com contrato com o Ministério da Educação, que os obriga a receber todos os alunos da zona, fazendo as vezes da escola pública.
Isto é uma amostra de como os "rankings" têm que se lhes diga e podem ser enganadores. Não tenho nada contra o Colégio São João de Brito, que recebe quem quer, e quem paga, e tira boas notas nos exames. Mas também não tenho nada contra a Escola Básica Integrada de Pampilhosa da Serra, que recebe quem quer e quem não quer, se calhar faz um bom trabalho em condições de partida tão desiguais, e tira fracas notas nos exames. O que me custa é vê-las colocadas no mesmo plano, comparadas como se fossem a mesma coisa. E que a uma se "dê" o primeiro lugar e a outra o último deste "campeonato" desigual. Isso não se faz.
JOAQUIM FIDALGO
Quarta-feira, 01 de Outubro de 2003
4.10.03
Escola da Ponte em Vila das Aves
O número de subscritores do Manifesto de apoio à Escola da Ponte ultrapassou os 4.000.
Não se esqueça de apoiar a Escola da Ponte.
Pode assinar o MANIFESTO e até deixar o seu COMENTÁRIO.
Não se esqueça de apoiar a Escola da Ponte.
Pode assinar o MANIFESTO e até deixar o seu COMENTÁRIO.
Primeiro liceu homossexual abre portas em Nova Iorque
O primeiro liceu público destinado unicamente a homossexuais, bissexuais e transexuais abriu as suas portas em Setembro na cidade de Nova Iorque.
O liceu acolheu uma centena de alunos e prevê poder vir a receber 170 brevemente.
"Toda a gente considera que é uma boa ideia pois a maior parte dos alunos homossexuais são constantemente incomodados noutras escolas e esta vai permitir-lhes fazer o curso sem inquietações", declarou o Presidente do Município Michel Bloomberg.
Organizações conservadoras denunciaram a criação do liceu, considerando que o dinheiro dos contribuintes não deve ser utilizado para financiar projectos deste tipo.
O director do liceu é um antigo responsável de Wall Street, William Salzman. "Esta escola será um modelo para o país e mesmo para o mundo", afirmou M. Salzman ao «New York Post».
O liceu acolheu uma centena de alunos e prevê poder vir a receber 170 brevemente.
"Toda a gente considera que é uma boa ideia pois a maior parte dos alunos homossexuais são constantemente incomodados noutras escolas e esta vai permitir-lhes fazer o curso sem inquietações", declarou o Presidente do Município Michel Bloomberg.
Organizações conservadoras denunciaram a criação do liceu, considerando que o dinheiro dos contribuintes não deve ser utilizado para financiar projectos deste tipo.
O director do liceu é um antigo responsável de Wall Street, William Salzman. "Esta escola será um modelo para o país e mesmo para o mundo", afirmou M. Salzman ao «New York Post».
Exames levam ao suicídio
Duas jovens que não entraram em duas universidades públicas da capital mexicana suicidaram-se na primeira semana do último mês de Agosto, de acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Uma jovem de 18 anos foi encontrada morta pela sua mãe, "após ter ingerido pelo menos 100 comprimidos", segundo a SSP. Ela "não foi aceite na Escola Normal Superior (para docentes), e parece ter sido esse o motivo do suicídio", constatou a SSP.
Por sua vez, no dia seguinte, uma adolescente suicidou-se, com um tiro no peito, porque não passou no exame de admissão à Universidade Nacional Autónoma do México (Unam).
Em 2002, na Cidade do México, houve 439 suicídios e no primeiro trimestre deste ano já se suicidaram 113 pessoas.
Uma jovem de 18 anos foi encontrada morta pela sua mãe, "após ter ingerido pelo menos 100 comprimidos", segundo a SSP. Ela "não foi aceite na Escola Normal Superior (para docentes), e parece ter sido esse o motivo do suicídio", constatou a SSP.
Por sua vez, no dia seguinte, uma adolescente suicidou-se, com um tiro no peito, porque não passou no exame de admissão à Universidade Nacional Autónoma do México (Unam).
Em 2002, na Cidade do México, houve 439 suicídios e no primeiro trimestre deste ano já se suicidaram 113 pessoas.
México-Chiapas: Marcos proclama o autogoverno zapatista
O subcomandante Marcos voltou a dar um audacioso golpe de média ao convocar os seus seguidores em Chiapas, para criar juntas de bom governo que são o cumprimento de uma velha promessa que fez às suas bases zapatistas em 1994.
A 1 de Janeiro de 1994, quando o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) se levantou em armas provocando a surpresa mundial, Marcos não somente exigiu uma mudança política radical no seu país, nas mãos do Partido Revolucionário Institucional (PRI) durante 70 anos, mas o respeito pela identidade indígena.
O seu movimento armado acelerou essa mudança política, encarnada pelo actual presidente Vicente Fox, mas as ambições revolucionárias deste ex-professor de filosofia aos 46 anos, filho da classe média e apaixonado pela literatura, não foram satisfeitas.
Desde então Marcos concentrou-se na procura de apoios, através dos seus comunicados, para que os seus seguidores indígenas pudessem sobreviver entre a miséria e a vigilante ameaça do exército e os grupos armados do PRI.
Sempre encapuçado e com um cachimbo na boca, Marcos prometeu aos seus apoiantes em 1994, na sua primeira Declaração da Selva Lacandona, que lutaria para tornar realidade o velho sonho de Emiliano Zapata, o guerrilheiro que lutou no início do século XX para obter terra e liberdade.
Em Chiapas, no início dos anos 80, quando Marcos chegou para fazer a revolução, a terra já estava repartida há décadas, e a liberdade era um sonho distante, num Estado profundamente violento e com terríveis indicadores sociais.
"Que acontece neste país onde é necessário matar e morrer para dizer algumas verdadeiras e pequenas palavras sem que se percam no esquecimento?", perguntava Marcos pouco depois do levantamento de 1994, que em 12 dias provocou mais de 150 mortos.
Armado com uma pena mordaz, que seduziu muitos intelectuais no mundo inteiro, Marcos tem sabido ganhar ao mesmo tempo a simpatia de toda uma geração de jovens antiglobalização, especialmente no Ocidente, atraídos pelo audacioso uso da Internet para difundir suas ideias.
"Somos a única guerrilha que tem dado mais importância às palavras do que às balas", assinalou Marcos noutra ocasião.
Ele conseguiu pôr Chiapas perante os olhos do mundo inteiro, reconheceram inclusivamente os seus detractores.
A 9 de Fevereiro de 1995, o ex-presidente Ernesto Zedillo tirou simbolicamente a máscara que escondia o seu rosto para deixar descoberta a identidade desse homem de 1,75 m de altura, pele branca, cabelo castanho escuro, olhos castanhos claros e nariz aquilino: "Rafael Sebastiãn Guillén Vicente, alias Marco".
Esse golpe de efeito teve um alcance limitado. Com os anos, Chiapas foi-se convertendo num laboratório de autogoverno municipal, visitado regularmente por militantes e ONGs, mas com um peso decrescente no panorama político mexicano.
Os partidários de Marcos são dezenas de milhares num estado de 4 milhões de habitantes. E também há simpatizantes em todo o país.
No entanto, ele foi capaz de mobilizar mais de 200 mil pessoas em pleno coração da Cidade do México, no final do seu histórico giro pelo sul do país, em Fevereiro e Março de 2001.
Foi talvez o seu momento máximo, mas o congresso decidiu exercer a sua soberania e modificou as propostas de reforma constitucional a favor dos indígenas.
Em seguida, o comando do EZLN encerrou-se num prolongado silêncio na Selva Lacandona, que só rompeu o seu porta-voz em Setembro de 2002.
Nessa ocasião, Marcos optou por avisar que o EZLN não estava morto, e para dar o seu apoio ao grupo armado basco ETA, o que provocou mal-estar em parte da intelectualidade que o apoiava.
Esta última iniciativa que acaba de adoptar é arriscada: proclamar a criação de cinco "juntas de bom governo" para governar os 30 municípios que tem nas suas mãos.
"Desde o início do nosso levantamento, e ainda muito antes, os indígenas zapatistas insistem em afirmar que são mexicanos... mas também indígenas", resumiu Marcos no seu último comunicado, antes de convocar mais uma vez os seus simpatizantes para que o desafio tenha êxito.
Fonte:Jordi Zamora
A 1 de Janeiro de 1994, quando o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) se levantou em armas provocando a surpresa mundial, Marcos não somente exigiu uma mudança política radical no seu país, nas mãos do Partido Revolucionário Institucional (PRI) durante 70 anos, mas o respeito pela identidade indígena.
O seu movimento armado acelerou essa mudança política, encarnada pelo actual presidente Vicente Fox, mas as ambições revolucionárias deste ex-professor de filosofia aos 46 anos, filho da classe média e apaixonado pela literatura, não foram satisfeitas.
Desde então Marcos concentrou-se na procura de apoios, através dos seus comunicados, para que os seus seguidores indígenas pudessem sobreviver entre a miséria e a vigilante ameaça do exército e os grupos armados do PRI.
Sempre encapuçado e com um cachimbo na boca, Marcos prometeu aos seus apoiantes em 1994, na sua primeira Declaração da Selva Lacandona, que lutaria para tornar realidade o velho sonho de Emiliano Zapata, o guerrilheiro que lutou no início do século XX para obter terra e liberdade.
Em Chiapas, no início dos anos 80, quando Marcos chegou para fazer a revolução, a terra já estava repartida há décadas, e a liberdade era um sonho distante, num Estado profundamente violento e com terríveis indicadores sociais.
"Que acontece neste país onde é necessário matar e morrer para dizer algumas verdadeiras e pequenas palavras sem que se percam no esquecimento?", perguntava Marcos pouco depois do levantamento de 1994, que em 12 dias provocou mais de 150 mortos.
Armado com uma pena mordaz, que seduziu muitos intelectuais no mundo inteiro, Marcos tem sabido ganhar ao mesmo tempo a simpatia de toda uma geração de jovens antiglobalização, especialmente no Ocidente, atraídos pelo audacioso uso da Internet para difundir suas ideias.
"Somos a única guerrilha que tem dado mais importância às palavras do que às balas", assinalou Marcos noutra ocasião.
Ele conseguiu pôr Chiapas perante os olhos do mundo inteiro, reconheceram inclusivamente os seus detractores.
A 9 de Fevereiro de 1995, o ex-presidente Ernesto Zedillo tirou simbolicamente a máscara que escondia o seu rosto para deixar descoberta a identidade desse homem de 1,75 m de altura, pele branca, cabelo castanho escuro, olhos castanhos claros e nariz aquilino: "Rafael Sebastiãn Guillén Vicente, alias Marco".
Esse golpe de efeito teve um alcance limitado. Com os anos, Chiapas foi-se convertendo num laboratório de autogoverno municipal, visitado regularmente por militantes e ONGs, mas com um peso decrescente no panorama político mexicano.
Os partidários de Marcos são dezenas de milhares num estado de 4 milhões de habitantes. E também há simpatizantes em todo o país.
No entanto, ele foi capaz de mobilizar mais de 200 mil pessoas em pleno coração da Cidade do México, no final do seu histórico giro pelo sul do país, em Fevereiro e Março de 2001.
Foi talvez o seu momento máximo, mas o congresso decidiu exercer a sua soberania e modificou as propostas de reforma constitucional a favor dos indígenas.
Em seguida, o comando do EZLN encerrou-se num prolongado silêncio na Selva Lacandona, que só rompeu o seu porta-voz em Setembro de 2002.
Nessa ocasião, Marcos optou por avisar que o EZLN não estava morto, e para dar o seu apoio ao grupo armado basco ETA, o que provocou mal-estar em parte da intelectualidade que o apoiava.
Esta última iniciativa que acaba de adoptar é arriscada: proclamar a criação de cinco "juntas de bom governo" para governar os 30 municípios que tem nas suas mãos.
"Desde o início do nosso levantamento, e ainda muito antes, os indígenas zapatistas insistem em afirmar que são mexicanos... mas também indígenas", resumiu Marcos no seu último comunicado, antes de convocar mais uma vez os seus simpatizantes para que o desafio tenha êxito.
Fonte:Jordi Zamora
3.10.03
Aulas no Iraque
As escolas iraquianas abriram as portas esta semana com livros velhos onde predomina a imagem de Saddam Hussein. Os professores estão a trabalhar para enfrentarem o que pensam ser o ano mais difícil das suas carreiras.
"Não sei muito bem o que vou dizer às minhas alunas no sábado, quando começarem as aulas. Não recebi nenhuma instrução em todos estes meses, assim, a minha prioridade será para que a bandeira do Iraque tremule alto nesta escola", explicou Shukria Jalil, directora de uma escola feminina no centro de Bagdá. Na arrecadação da escola amontoam-se, cheios de pó, os velhos livros do regime deposto com as fotografias do ex-presidente Saddam Hussein e mensagens de glória ao ex-presidente. "Não arrancámos as páginas porque não sabíamos se devíamos fazê-lo ou não. Esperávamos livros novos e alguma indicação do Ministério, o que nunca chegou", explicou.
Nalgumas escolas visitadas, a situação é a mesma. Algumas escolas, muitas delas saqueadas e incendiadas após a guerra, foram restauradas graças à ajuda americana, mas os professores sentem-se perdidos no momento de enfrentar o novo ano escolar e sem respostas para muitas das perguntas que os seus alunos farão.
"Vamos reuni-los e diremos aos alunos que estamos aqui unicamente para estudar, que tudo mudou e que é preciso começar do zero", explicou, sem mostrar muita certeza, Nahed Kelif Saaleh.
Segundo um funcionário, que substitui um director que era líder do partido Baath no bairro, será preciso ver a história, a saúde e até mesmo o inglês e a matemática com outros olhos. "Em todas as matérias havia menções a Saddam Hussein, será difícil eliminá-las. Por agora, suprimimos a disciplina de Educação Nacional, que falava unicamente do presidente e do partido", explicou.
Os directores deram aos seus professores uma única indicação para o início do ano escolar: evitar qualquer referência ao ex-chefe de Estado e ao antigo governo. Mas, segundo as professoras da escola primária do bairro Al Manathra, a maioria das crianças está confusa, assustada e não conseguem assimilar tantas mudanças em tão pouco tempo. "Vamos ter que reeducá-las pouco a pouco, fazê-las compreender o que está a acontecer. As crianças são como a massa de pão, é fácil dar-lhes forma, mas é preciso fazê-lo com cuidado", explicou Kalada Noory, a professora mais antiga, com 24 anos de experiência na escola.
Responsáveis em educação na Autoridade Provisória da coligação no Iraque explicaram que tem havido vários cursos para professores de todo o país nas semanas passadas, em Bagdá.
No entanto, estes professores garantem que não receberam nenhuma instrução dos americanos.
Shukria Jalil, sunita e membro de alto escalão no partido Baath, só teme que os americanos, que nunca visitaram a escola até hoje, venham obrigá-la a deixar o seu posto de trabalho nas próximas semanas.
"Quando as minhas alunas me perguntarem se os americanos devem ficar, dir-lhes-ei que sim, mas eu rezo todas as noites para que Saddam volte", confessou.
A escola, que se salvou milagrosamente dos saques nos dias posteriores à guerra, não tem electricidade ou água corrente. "Com Saddam, isto não aconteceria", disseram os professores.
Segundo porta-vozes militares americanos, em toda a cidade de Bagdá estão a ser recuperados 2.000 centros educacionais para que os alunos possam começar o seu ano lectivo em Outubro, sem problemas.
"Antes dizíamos "Longa vida a Saddam" e agora temos que dizer "Longa vida ao Iraque". Isso está claro. O resto vamos ter que improvisar", concluíram os professores da escola de Al Shaab, no sudeste de Bagdá.
"Não sei muito bem o que vou dizer às minhas alunas no sábado, quando começarem as aulas. Não recebi nenhuma instrução em todos estes meses, assim, a minha prioridade será para que a bandeira do Iraque tremule alto nesta escola", explicou Shukria Jalil, directora de uma escola feminina no centro de Bagdá. Na arrecadação da escola amontoam-se, cheios de pó, os velhos livros do regime deposto com as fotografias do ex-presidente Saddam Hussein e mensagens de glória ao ex-presidente. "Não arrancámos as páginas porque não sabíamos se devíamos fazê-lo ou não. Esperávamos livros novos e alguma indicação do Ministério, o que nunca chegou", explicou.
Nalgumas escolas visitadas, a situação é a mesma. Algumas escolas, muitas delas saqueadas e incendiadas após a guerra, foram restauradas graças à ajuda americana, mas os professores sentem-se perdidos no momento de enfrentar o novo ano escolar e sem respostas para muitas das perguntas que os seus alunos farão.
"Vamos reuni-los e diremos aos alunos que estamos aqui unicamente para estudar, que tudo mudou e que é preciso começar do zero", explicou, sem mostrar muita certeza, Nahed Kelif Saaleh.
Segundo um funcionário, que substitui um director que era líder do partido Baath no bairro, será preciso ver a história, a saúde e até mesmo o inglês e a matemática com outros olhos. "Em todas as matérias havia menções a Saddam Hussein, será difícil eliminá-las. Por agora, suprimimos a disciplina de Educação Nacional, que falava unicamente do presidente e do partido", explicou.
Os directores deram aos seus professores uma única indicação para o início do ano escolar: evitar qualquer referência ao ex-chefe de Estado e ao antigo governo. Mas, segundo as professoras da escola primária do bairro Al Manathra, a maioria das crianças está confusa, assustada e não conseguem assimilar tantas mudanças em tão pouco tempo. "Vamos ter que reeducá-las pouco a pouco, fazê-las compreender o que está a acontecer. As crianças são como a massa de pão, é fácil dar-lhes forma, mas é preciso fazê-lo com cuidado", explicou Kalada Noory, a professora mais antiga, com 24 anos de experiência na escola.
Responsáveis em educação na Autoridade Provisória da coligação no Iraque explicaram que tem havido vários cursos para professores de todo o país nas semanas passadas, em Bagdá.
No entanto, estes professores garantem que não receberam nenhuma instrução dos americanos.
Shukria Jalil, sunita e membro de alto escalão no partido Baath, só teme que os americanos, que nunca visitaram a escola até hoje, venham obrigá-la a deixar o seu posto de trabalho nas próximas semanas.
"Quando as minhas alunas me perguntarem se os americanos devem ficar, dir-lhes-ei que sim, mas eu rezo todas as noites para que Saddam volte", confessou.
A escola, que se salvou milagrosamente dos saques nos dias posteriores à guerra, não tem electricidade ou água corrente. "Com Saddam, isto não aconteceria", disseram os professores.
Segundo porta-vozes militares americanos, em toda a cidade de Bagdá estão a ser recuperados 2.000 centros educacionais para que os alunos possam começar o seu ano lectivo em Outubro, sem problemas.
"Antes dizíamos "Longa vida a Saddam" e agora temos que dizer "Longa vida ao Iraque". Isso está claro. O resto vamos ter que improvisar", concluíram os professores da escola de Al Shaab, no sudeste de Bagdá.
Novo Nobel da Literatura
A atribuição do prémio Nobel da Literatura ao romancista sul-africano John Maxwell Coetzee, de 63 anos, considerado por alguns especialistas como "um sucessor de Kafka", causou muita alegria nos meios intelectuais da África, Europa e Austrália.
O prémio a Coetzee, que vive na Austrália, causou "orgulho" na Universidade de Adelaide, onde o escritor sul-africano lecciona e representa "uma imensa fonte de inspiração", declarou James McWha, vice-presidente da Universidade.
"Não acho que a maioria dos sul-africanos saiba quem ele é", disse nesta quinta-feira David Atwell, da Universidade de Witwatersrand, de Johannesburgo, especialista na obra de Coetzee, com quem escreveu em co-autoria um livro de contos.
Coetzee é relativamente pouco conhecido no seu país, apesar da sua fama ser internacional e as suas obras terem sido traduzidas para 25 línguas.
Para Stephen Watson, chefe do departamento de Língua Inglesa da
Universidade do Cabo, Coetzee é "o grande sucessor de Kafka", fazendo alusão ao escritor checo autor de "A Metamorfose".
S. Fischer Verlag, porta-voz de um dos seus principais editores alemães, disse que JM Coetzee é "um autor excepcional".
"Existem poucos autores no mundo que tenham conseguido como ele alcançar uma perfeição estética juntando o rigor com o compromisso. Apreciamos John Maxwell enquanto observador crítico e lúcido da política, moralista implacável e audaz narrador", afirmou a sua editora num comunicado.
O escritor português José Saramago disse, por sua vez, que a atribuição do prémio Nobel de Literatura 2003 a Coetzee era "justificada e merecida". "É um grande escritor", disse Saramago em declarações à agência de notícias Lusa.
Nobel da Literatura em 1998, Saramago disse que tem por Coetzee "grande estima, tanto a nível pessoal como no campo literário". José Saramago, que conheceu o escritor sul-africano no México durante um encontro literário, disse que a leitura de dois livros de Coetzee, "A Idade do Ferro" e "Desonra", o tinham impressionado muito. "São dois livros difíceis, já que a realidade da África do Sul também é dura e terrível", acrescentou.
A Associação de Escritores Dinamarqueses destacou a atribuição do Nobel a Coetzee, afirmando que ler os seus livros permite "compreender o apartheid por dentro".
No Senegal, o Comité de Intelectuais de Dacar manifestou a sua satisfação pela atribuição do prémio a Coetzee. "Este prémio demonstra que a cultura transcende as fronteiras, as cores, as línguas e as etnias", destacou num comunicado.
Para o escritor libanês Elias Jury, que lamentou que o poeta Árabe Adonis não tivesse sido premiado, "Coetzee é, sem dúvida, um grande romancista da África do Sul, com uma visão e estilo elegantes. Este prémio é um reconhecimento e uma homenagem à cultura do terceiro mundo e ao combate contra a discriminação racial", disse.
O prémio a Coetzee, que vive na Austrália, causou "orgulho" na Universidade de Adelaide, onde o escritor sul-africano lecciona e representa "uma imensa fonte de inspiração", declarou James McWha, vice-presidente da Universidade.
"Não acho que a maioria dos sul-africanos saiba quem ele é", disse nesta quinta-feira David Atwell, da Universidade de Witwatersrand, de Johannesburgo, especialista na obra de Coetzee, com quem escreveu em co-autoria um livro de contos.
Coetzee é relativamente pouco conhecido no seu país, apesar da sua fama ser internacional e as suas obras terem sido traduzidas para 25 línguas.
Para Stephen Watson, chefe do departamento de Língua Inglesa da
Universidade do Cabo, Coetzee é "o grande sucessor de Kafka", fazendo alusão ao escritor checo autor de "A Metamorfose".
S. Fischer Verlag, porta-voz de um dos seus principais editores alemães, disse que JM Coetzee é "um autor excepcional".
"Existem poucos autores no mundo que tenham conseguido como ele alcançar uma perfeição estética juntando o rigor com o compromisso. Apreciamos John Maxwell enquanto observador crítico e lúcido da política, moralista implacável e audaz narrador", afirmou a sua editora num comunicado.
O escritor português José Saramago disse, por sua vez, que a atribuição do prémio Nobel de Literatura 2003 a Coetzee era "justificada e merecida". "É um grande escritor", disse Saramago em declarações à agência de notícias Lusa.
Nobel da Literatura em 1998, Saramago disse que tem por Coetzee "grande estima, tanto a nível pessoal como no campo literário". José Saramago, que conheceu o escritor sul-africano no México durante um encontro literário, disse que a leitura de dois livros de Coetzee, "A Idade do Ferro" e "Desonra", o tinham impressionado muito. "São dois livros difíceis, já que a realidade da África do Sul também é dura e terrível", acrescentou.
A Associação de Escritores Dinamarqueses destacou a atribuição do Nobel a Coetzee, afirmando que ler os seus livros permite "compreender o apartheid por dentro".
No Senegal, o Comité de Intelectuais de Dacar manifestou a sua satisfação pela atribuição do prémio a Coetzee. "Este prémio demonstra que a cultura transcende as fronteiras, as cores, as línguas e as etnias", destacou num comunicado.
Para o escritor libanês Elias Jury, que lamentou que o poeta Árabe Adonis não tivesse sido premiado, "Coetzee é, sem dúvida, um grande romancista da África do Sul, com uma visão e estilo elegantes. Este prémio é um reconhecimento e uma homenagem à cultura do terceiro mundo e ao combate contra a discriminação racial", disse.