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31.1.04

UTOPIAS: reformamos ou reinventamos o sistema educativo? 

Não tem sobrado tempo para o Blog. Aproveito um curto intervalo para voltar, de forma breve, à questão da reforma e da reinvenção dos sistemas educativos. Como julgo que pode ser num blog, vai ao correr do teclado. Sem arranjos, sem releituras.

Reformam-se os velhos edifícios ou o que precisamos é de outros?

Algumas questões:
1. Quando se fala em reinventar o sistema não se está a pensar em termos nacionais mas num movimento internacional. Não é só o sistema português que se mostra desadequado, são os sistemas educativos de forma geral.
2. É verdade que, apesar de tudo, alguns sistemas nacionais apresentam melhores resultados que outros - os nórdicos, por exemplo. Mas nenhum foge à angústia de não ser capaz de responder a necessidades do desenvolvimento das actuais sociedades.
3. Os sistemas económico, cultural, social, jurídico e político estão esgotados. Não é por acaso que dizemos que se vive uma crise internacional (e não apenas nacional) - de valores, de políticas... É nesse contexto de crise global, e do pós-capitalismo(1) (de Estado — também chamado comunismo — e privado), que a educação tem de ser repensada.
4. Os sistemas nacionais apenas variam no grau da crise. O nosso é particularmente frágil e improdutivo. Isso deve-se ao nosso sistema nacional (deve-se à herança do obscurantismo que vem do século XIX e ao fascismo no século XX), ao nosso atraso crónico no que respeita ao desenvolvimento, aos níveis de educação e formação. Um povo pobre e inculto não pode ter resultados escolares de ponta. A educação e o ensino só em parte dependem da escola (e da sua organização e competência). A maior parte depende da sociedade. Do nível educacional das classes dirigentes e dos pais e familiares das crianças.
5. Se quisermos comparar com a genética podíamos dizer (embora de forma grosseira) que o indivíduo é marcado pelo seu AND (pelos cromossomas) e pela sociedade (pela cultura). A história de vida dos indivíduos resulta da relação dialéctica que eles estabelecem entre a sua fisiologia e o meio social (nele incluído a natureza). A componente genética resulta de características herdadas e a componente social resulta, largamente, do acaso e da necessidade.
6. O sistema nacional de ensino resulta do que somos capazes de ser (agora) e da escola que somos capazes de ter (agora). É isto (em parte) que me leva a dizer: não perguntem à escola o que ela pode fazer pela sociedade, perguntem à sociedade o que é que ela pode fazer pela escola. A escola é um componente, não é o motor da sociedade. Não é a escola quem faz a sociedade. É esta que faz aquela.
7. Adianta alguma coisa, mas pouco, termos professores de excelência se o país for pobre, inculto, resignado. Se quisermos melhorar (gradualmente) os resultados escolares das crianças e dos jovens de uma escola que acolhe alunos oriundos de bairros pobres é mais importante actuar sobre as condições de vida das pessoas (actuar no bairro) do que no interior da escola. (É também por isso que a outra escola não é só uma escola de professores, alunos e funcionários administrativos).
8. Quando os políticos atiram para cima da escola a responsabilidade do insucesso escolar estão a ser uns vigaristas. Mais uma razão para considerar os rankings das escolas estúpidos. O insucesso escolar resulta da falta de intervenção na formação de adultos, na habitação, no mercado de trabalho, nos níveis de rendimento económico das pessoas, (na fragilidade da base social nacional). O que mais explica o insucesso não é a condição do aluno mas a condição dos familiares e vizinhos. O contexto social em que o aluno nasce, cresce e vive, é determinante para a sua aprendizagem e socialização. A este atirar de culpas para a escola (e por tabela para os professores) é que eu chamo a rentabilização política dos professores.
9. Os políticos vivem (também) desse rendimento. Se a culpa é da escola, então não é dos políticos é dos professores. Se a escola não ensina "como deve ser", dizem que a culpa é da incompetência dos professores e não dos políticos e da falta de políticas a todos os níveis. Culpam os professores para que não lhe apontem o dedo. Veja-se a bazófia do nosso actual ministro. Ele sabe tudo. Conhece todas as soluções para resolver os problemas. O que é que falta? Que os professores saibam mais. Sejam melhores profissionais. Sejam apertados e avaliados. Sejam dirigidos. Sejam hierarquizados. Logo: o problema da escola é um problema de maus professores! Nunca dos políticos e das políticas.
10. É fácil e é barato responsabilizar a escola. Da falta de produtividade à abundância de problemas e dramas como a SIDA, o alcoolismo, a droga, a ignorância em matéria sexual, passando pela violência, as vacinas, a falta de escrúpulos ou o déficit das contas públicas, é tudo culpa da escola. Se é culpa da escola não é culpa das políticas e dos políticos, nem do sistema imposto. Não é preciso repensar as políticas e a economia. O que é preciso é "reformar" e voltar a "reformar" o sistema.
11. Os sistemas educativos começaram por fazer reformas periódicas. Primeiro globais. Depois sistémicas. Depois foi a reforma da reforma. Nos últimos 20/25 anos entraram em reforma permanente. Resultados?
12. Foram sucessivas as gerações de reformas - levadas a cabo em todo o mundo - a procurar mudar para melhor o funcionamento das escolas, as práticas de ensino e os resultados escolares. O que sabemos é que nada ficou melhor em país nenhum do mundo. Por todo o mundo cresce o desânimo e o desencanto. Instala-se o pessimismo. Ao chamado "mal estar docente" veio juntar-se gradualmente o mal estar das famílias e dos alunos.
13. É tempo de olhar para todas estas "experiências" e reformas. Ver se alguma coisa deu resultado e se deu pois que se aproveite. Mas é sobretudo necessário não continuar a cometer os mesmos e velhos erros. A insistir nas velhas crenças.
14. Se o edifício escolar foi feito para uma minoria nacional porque se teima em acomodar agora, lá dentro, toda a população escolar do país? Porque não construir um novo edifício mais adequado às necessidades do tempo que corre?
15. Se o sistema foi construído com a intenção de seleccionar violentamente, de colher a nata (a elite) e de deitar para o mercado de trabalho desqualificado o leite desnatado (a massa dos pobres), como se quer agora que o mesmo sistema dê a todos o desenvolvimento das suas máximas competências?
16. Uma das contradições está aqui. A sociedade actual exige níveis elevados de conhecimentos a toda a sua população e o sistema educativo (que mantêm à custa da reforma permanente) está pensado e organizado para valorizar apenas as elites.
17. Também, a meu ver, a separação da direita e da esquerda passa por aqui. A esquerda assume o princípio (e a prática) da igualdade de acesso e de sucesso. A esquerda (quando o é) deseja, do fundo do coração, que todos os cidadãos, jovens e adultos, sejam sujeitos ao princípio «a cada um segundo as suas necessidades e de cada um segundo as suas capacidades». Não é isto que a direita quer. A direita é maltusiana. Quer dar mais aos que já têm muito e dar menos aos que nada têm. Quer mais apoio — e melhores escolas — para os alunos com médias escolares elevadas — para que tenhamos "boas" elites, e quer dar cursinhos profissionais, de baixa qualidade, aos alunos menos adaptados à cultura escolar e portanto de mais baixos resultados. Quer escolas por níveis de exigência e de competência. Escolas para as elites, escolas para a classe média e escolas para os deserdados da vida. Foi a esta estratificação escolar (e social) que chegaram muitos dos sistemas educativos nacionais dos países mais ricos. É aqui que eu, de reforma em reforma, não quero chegar. Tenho a convicção que há alternativas. É preciso imaginação, estudo, experimentação e globalização do pensamento alternativos. É preciso pensar a escola que queremos ao mesmo tempo que pensamos a sociedades que temos e aquela que queremos ter.
18. Uma outra escola. Um outro sistema educativo. Uma outra sociedade. Um outro Estado. São exigências do nosso tempo.
19. A reinvenção do sistema educativo não é obra da superestrutura da sociedade. Não é nada que nos caia por decreto. Não é nada que, por magia ou milagre, se inscreva na agenda política das maiorias. Pelo contrário, vejo-a como um movimento que se harmoniza com a concepção de globalização que defendo. Não é um movimento de cima para baixo, nem de fora para dentro. Um movimento assim é o que caracteriza a actual globalização hegemónica. De cima para baixo e de fora para dentro: esmaga-nos. Defendo o movimento contrário. Um movimento de baixo para cima e de dentro para fora.
20. Um movimento de baixo para cima e de dentro para fora. É assim que concebo o movimento da globalização. Começa no expandir do que está dentro das pessoas, (de dentro para fora). É um movimento libertador e de afirmação individual (do que é verdadeiro e genuíno em cada um). Movimento de dentro para fora das pessoas, depois dos grupos, das comunidades, das regiões, dos continentes, do mundo. Em suma, uma libertação contagiante das energias dos indivíduos, dos grupos e das comunidades. Uma afirmação da identidade de cada uma destas partes. O respeito pela regra de cada um segundo as suas capacidades.
21. Um movimento de baixo para cima. Os indivíduos dando o seu contributo ao grupo, este à comunidade, esta à região, ao continente, ao mundo. O respeito pela segunda parte da regra: de cada um segundo as suas capacidades.
22. "De cada um segundo as suas capacidades e a cada um segundo as suas necessidades". Dou o que tenho e, em compensação, recebo o que preciso. Se tenho mais capacidade é natural que dê mais. Se tenho menos capacidade é natural que dê menos e receba mais. Poderemos assumir de novo esta utopia na sociedade do século XXI? Julgo que sim. Se a humanidade atingir estes objectivos daqui a quinhentos anos, valeu a pena. Valeu a pena porque isso significa que caminhamos continuamente — umas vezes mais depressa outras mais devagar, por vezes andando para trás — no sentido dessa igualdade na diferença.
23. É (também) no contexto desta utopia que é preciso reinventar os sistemas educativos. É uma construção que julgo inevitável. Os homens e as mulheres podem é retardar mais ou menos tal construção, não lhe podem fugir, é a lei da história. Só regressamos atrás na aparência, nunca voltamos atrás na realidade.
24. Contribuir para esta reinvenção dos sistemas educativas é, antes de mais, saber conciliar dois movimentos. Um vai no sentido de actuar, o melhor possível, de forma critica, no interior do sistema que temos. Procurando tomar nota do que, apesar de tudo, vai funcionando e do que, manifestamente, não funciona. Como se tomássemos o actual sistema como laboratório. Outro vai no sentido de ir construindo, conhecendo e apoiando as alternativas que se vão construindo um pouco por todo o mundo. Em Portugal existem algumas experiências a não perder de vista. Uma delas é, sem dúvida, a da Escola da Ponte em Vila das Aves. Uma escola pública, democrática, sem turmas, onde o papel dos pais, dos alunos e da comunidade é outro e onde são outras as relações de poder e de produção e aquisição de saber. Não é um modelo perfeito. Nada de acabado. Mas é uma porta aberta para o futuro que importa reinventar e construir de outra maneira. Um futuro para todos.
25. E paro aqui. Não que o tema se tenha esgotado, mas porque estamos no número 25 e este é um número simpático para se parar. É evidente que as utopias são apenas isso mesmo: utopias. Coisas imaginadas, idealizadas, quiméricas, idealistas. Os utópicos são gente sem certezas. Normalmente portadores de um criticismo perigoso. Mas são também gente aberta a todas as formas de pensamento. Mais disponível a ouvir do que a falar. A utopia é também um projecto, que a realizar-se asseguraria a todos a felicidade geral. Só por isso vale a pena procurar. Pensar. Inquietar-se.


Nota:
(1) Já num livro em que participei nos idos de 1975 ("Capitalismo privado - capitalismo de Estado, não é escolha; edições Afrontamento") e no jornal semanário "Combate" que existiu nessa altura (nada tem a ver com o actual), defendíamos a ideia de que nunca se tinha implantado nenhum regime socialista ou comunista. Tal desaforo ficou-nos caro na altura!
O que existiram até hoje foram variantes do capitalismo. Com a Revolução Russa brotou um novo ramo do tronco do capitalismo.
Passámos a ter dois grandes ramos do capitalismo: o capitalismo privado (tendo os EUA como referência maior) e o capitalismo de Estado (tendo a ex-União Soviética como modelo principal).
Neste sentido, outros países — como a República Popular da China, Cuba, os países do leste europeu, a ex-Jugoslávia, etc. — não são ou foram mais do que ramagem (variantes) do ramo do capitalismo de Estado.
O ramo do capitalismo privado é frondoso. Muita ramagem. Do capitalismo selvagem dos séculos XVIII e XIX ao neoliberalismo actual, considerando as ditaduras e democracias representativas, as variantes são inumeras.
Os dois ramos da árvore capitalista foram historicamente violentos. Os grupos dominantes exploraram os trabalhadores das formas mais variadas. Quer o capitalismo privado quer o capitalismo de estado foram e são regimes opressivos dos trabalhadores.
Não tivemos a experiência de um regime socialista e, menos ainda, de um regime comunista. Que me desculpem os militantes (e simpatizantes) que acreditam no contrário. Que me desculpem, sobretudo, os que, tendo-se formado nas ideologias do capitalismo de Estado e os do socialismo (democrático) os tomaram por socialismo e comunismo. Temo que enquanto não se libertarem dessa ganga ficarão sempre dentro da trincheira. Não irão a lado nenhum.
O socialismo e o comunismo são utopias nunca experimentadas.


28.1.04

Miklos Fehér 

REUNIÃO

23.1.04

Não desisti 

Não. Não desisti. Ando é a navegar por outros lados. Voltarei quando for possível.

19.1.04

Uma notícia do IV Fórum Social Mundial (FSM) 

Casta dos "intocáveis" chega a Mumbai

Uma marcha de "dalits" ou "intocáveis", o estrato mais baixo no complexo sistema de castas que prevalece na Índia há 2.500 anos, chegou sexta-feira a Mumbai (oeste da Índia), para a inauguração do IV Fórum Social Mundial (FSM) que se realiza nesta cidade nos próximos seis dias.


Tocando tambores, dançando e carregando grandes faixas onde se lia "Outro mundo é possível", a palavra de ordem do Fórum, 1.500 dalits chegaram à capital económica da índia, numa marcha que começou no dia 4 de Dezembro passado nos quatro cantos do país.
Ao mesmo tempo, no local onde se realiza o Fórum, nos arredores de Mumbai, mulheres "intocáveis" desfilaram e dançaram, ao ritmo de cantos nos quais exigiam o fim da exclusão e da discriminação contra a sua comunidade.


REUNIÃO
"Não podemos nem sequer beber água do mesmo jarro das outras castas", denuncia Rachana Rasaily, uma jovem dalit que participa na marcha, e que descreve as condições "desumanas" em que vive uma grande parte da população da Índia, e também do Nepal.
Os dalits "serão uma das forças mais visíveis" do Fórum de Mumbai, afirma a Campanha Nacional para os Direitos Humanos dos Dalits, que defende os direitos desta comunidade que, segundo as regras do sistema de castas, deve exercer os trabalhos mais degradantes da sociedade.


Na Índia, com uma população estimada em 1 bilião de habitantes, 138 milhões de indianos pertencem a este estrato dos dalits, considerados párias, embora a Constituição tenha abolido há mais de 50 anos o sistema de castas hindu.
"Pela minha descendência, estou excluída dos serviços básicos, como saúde, educação, emprego. Negam-nos todos os direitos", afirma Rasaily. "E por ser mulher, sou duplamente discriminada", acrescenta.
Explica que os dalits são considerados "impuros", e que não estão autorizados a tocar os mesmos utensílios de comida das castas superiores: os brâmanes, ou sacerdotes, os kshatria, que formam a classe de guerreiros ou administradores, os vaisya, que são artesãos e comerciantes, e mesmo os suda, a casta inferior, composta por camponeses.
São párias da sociedade, que vivem amarrados há séculos aos trabalhos de recolher o lixo, lavar casas e quartos de banho.
E "são vítimas também de execuções sumárias e de torturas", denuncia uma activista da Campanha Nacional para os Direitos dos Dalits.
Os organizadores do Fórum de Mumbai, para onde convergiram dezenas de milhares de delegados de associações e movimentos antiglobalização de 130 países, afirmam que vários milhares de dalits provenientes de toda a Índia vão chegar hoje, sábado, ao local do Fórum.
A questão dos dalits terá também várias conferências e debates, das centenas que se realizarão durante os seis dias do Fórum.
Entretanto, mulheres dalits, vestidas com saris vermelhos, varrem a poeira que se acumula em algumas ruas sem asfalto do local onde se realiza o Fórum, enquanto vêem passar a marcha das mulheres dalits.

17.1.04

A propósito do escrito pelo Miguel Pinto 

Não se trata de ser pessimista ou optimista. Trata-se de entender a realidade para a poder transformar. Perceber a realidade e os problemas com que nos confrontamos, é o primeiro passo para perspectivar respostas adequadas. Não quero pedir aos professores mais do que aquilo que — enquanto colectivo profissional — podem dar.
Reconhecer a falência dos actuais sistemas educativos é uma necessidade para quem quer de facto mudar alguma coisa.
Terminou a sociedade industrial e o Estado Moderno que lhe correspondeu entrou em crise. O sistema educativo actual é um dos sistemas que configuraram o Estado Moderno. Nasceu com a revolução industrial e cresceu e desenvolveu-se com ela. É natural que desapareça com ela. Se, actualmente, é preciso reconfigurar o Estado Moderno, se precisamos de criar um outro Estado, isso faz-se reconfigurando os sistemas que o enformam. O sistema educativo não pode escapar a esta reconfiguração.
Não se trata de desistir de mudar, trata-se de querer mudar de facto e de não fingir que se muda ou de não confundir mudança com brincar às mudanças.
Há pelo menos quinze anos que defendo que já não há lugar para as reformas, porque os sistemas educativos tradicionais já não são reformáveis. O que é preciso é reinventar os sistemas educativos. Leia-se o MANIFESTO a favor da reinvenção do sistema educativo escrito há uma dúzia de anos. Depois disso muita coisa mudou. Também o meu discurso mudou como se pode LER nalguns dos meus textos disponiveis na Net.
Felizmente constato agora que por esse mundo fora se vai alargando o número dos que entendem que a alternativa não é a reforma do que temos mas a reconfiguração do sistema em novos moldes e como resposta à nova sociedade que temos. Toda a minha escrita e a minha intervenção pública, desde meados dos anos oitenta, está marcada por esta convicção.
Não. Não há no spot uma critica velada, nem aberta, aos sindicatos. É verdade que estes não são todos iguais. É preciso distingui-los do ponto de vista político. Há sindicatos que não são mais do que apêndices do poder estabelecido e outros são lugares plurais onde se procuram soluções alternativas ao que temos. Os primeiros não merecem que se perca tempo com eles. Os segundos, como lugares plurais, não lhes peço que me dêem a minha solução ou a solução milagrosa para os males sociais e profissionais. O que lhes peço é que se mantenham como lugares onde o confronto das ideias se faz. Neste aspecto sou Gramsciano. Os sindicatos quero-os como intelectuais colectivos. Como tal, pensam mais ou pensam menos, são mais ou menos influentes, são mais ou menos esclarecidos, em função da quantidade e da qualidade das pessoas que os formam e lhes dão vida. Mas não podemos perder de vista que são instituições da sociedade civil. Podem, se lhes dermos o nosso concurso e o nosso poder, forçar mais ou forçar menos, o poder estabelecido, mas não são os sindicatos quem tem o poder. Não são os sindicatos quem pode legislar a mudança. Podem forçar mudanças. Mas não se deve pedir a César o que não é de César. O que eu peço é que os profissionais do mesmo ofício fortaleçam o seu sindicato e contribuam para lhe dar sentido. Dessa força, maior ou menor, poderá resultar mais uma força promotora das mudanças que julgo necessárias. Mas, repito, os sindicatos (os de esquerda) não têm nenhuma responsabilidade pelas políticas educativas. Essas são da responsabilidade dos governos. Quanto aos sindicatos da direita eles fazem parte do pacote governamental. São instrumentos do poder dominante e como tal devem ser tratados.
Reconhecer que os neoconservadores e os neoliberais, nos últimos 25 anos, rentabilizaram politicamente os professores e que atiraram para dentro da escola com uma série de trabalha que não é de lá, não significa pessimismo ou desistência da mudança. É reconhecer uma evidência. Os professores têm sido e estão a ser atropelados. A sua função está a ser desvirtuada. A sua autonomia coarctada. A sua consideração social e profissional diminuída. E ao mesmo tempo estão a ser responsabilizados por não fazerem o que não podem fazer porque as políticas educativas, que não são deles, não permitem que se faça. Os dirigentes políticos fazem a asneira. Apontam objectivos estúpidos. Mantêm formas organizativas e práticas desajustadas à sociedade do nosso tempo. Obtêm resultados desastrosos e depois responsabilizam as escolas e os professores pelos resultados das políticas que eles implementam! É a isto que eu chamo rentabilizar politicamente os professores. É neste contexto que se deve ler a minha afirmação " Apagaram e desvirtuaram o papel do professor e sujeitaram-no à brutalidade e à frustração de uma escola sem regras."
Fica este desabafo, sem arranjo nem correcção, ao sabor do humor do momento e da suavidade do teclado.



Um texto de Miguel Pinto 

Caro colega

Os post Escola e sociedade e Clima de escola são claros e transparecem o seu pessimismo é notório quanto a capacidade dos professores suscitarem as mudanças de que a escola precisa. Não haverá aqui uma crítica velada ao papel dos sindicatos como organizações mobilizadoras de vontades e promotoras da mudança? Embora não o conheça pessoalmente, sei que o seu percurso na luta pelos interesses dos professores não é congruente com o atirar da toalha para o chão.

Embora os burocratas neoliberais já tenham conquistado o discursos do senso comum seria lastimável que, e aqui deve concordar comigo, conquistasse o discurso dos professores.

Miguel Pinto

16.1.04

Apelo: venham "chorar sobre as ruínas da República" 

Um sindicato de professores em Bangu, na República Centro Africana, apelou a todos os trabalhadores assalariados do sector público, a juntarem-se na manhã do próximo sábado, junto à bolsa do trabalho em Bangu, "para chorarem sobre as ruínas da República".

"Camaradas professores(as), camaradas trabalhadores(as), todos à bolsa do trabalho, sábado, 17 de Janeiro a partir das 09H00 para chorarmos sobre as ruínas da República", escreve a Interfederal da Educação da Republica Centro Africana.
No início de Janeiro "o ministério das finanças declarou a quem o quis ouvir que o Estado Centro-africano estava incapaz de pagar aos funcionários públicos(…) e que era difícil, senão impossível, para o governo, fazer face aos pagamentos regulares a todos os funcionários e agentes do Estado", lembra a IFEC.
"O conceito do presidente «+trabalho e não + que trabalhar+» está esvaziado de sentido. Cada um deve trabalhar agora ao seu ritmo pois quem paga manda e quem não paga não manda", continua o sindicato.
Não é só em Portugal que o primeiro ministro chora pela impossibilidade de actualizar os salários dos funcionários públicos. Não é apenas a República Portuguesa a abrir falência. Como vemos, até em África acontece o mesmo. Vamos também chorar pelas ruínas da nossa República?

Japão acusado de amordaçar imprensa antes de enviar soldados para o Iraque 

Enquanto o Japão se dispõe a enviar soldados para o Iraque, a sua primeira mobilização numa área de combates desde 1945, desenvolve-se uma polémica em Tóquio depois de o Governo ordenar aos poderosos meios de comunicação nipónicos que se autocensurem para proteger a segurança das tropas.

Na sexta-feira da semana passada, a Agência de Defesa (equivalente ao Ministério da Defesa) enviou memorandos à imprensa local e estrangeira, pedindo que não sejam difundidas notícias que possam "prejudicar a segurança" dos soldados, ameaçando privar de informações esses órgãos.
Desde então, os jornalistas protestam contra o que consideram um regresso da censura militar, totalmente contrária aos supostos objectivos humanitários da mobilização nipónica para o Iraque.
"É certo que o nacionalismo militante japonês desapareceu, mas os métodos de controle dos meios locais continuam", declarou Teruo Ariyama, professor de jornalismo na universidade Keizai de Tóquio.
"A Agência de Defesa será a única capacitada para julgar se tal informação pode ser difundida ou não sem que ninguém possa verificar os critérios".
"Esta agência poderia simplesmente dissimular a informação que vai contra os seus objectivos e ninguém perceberia a diferença", acrescentou.
O Governo dá a menor quantidade possível de detalhes - ainda se ignora a data da partida do principal contingente -, obrigando a imprensa a interessar-se por assuntos mais frívolos, como o número de cuecas que os militares levarão, para satisfazer a curiosidade do público.
A Agência de Defesa pediu expressamente à imprensa que não publique o calendário preciso da mobilização dos soldados, que na sua maioria embarcarão em aviões comerciais, misturando-se com os passageiros civis para chegarem a seu destino.
"Se os meios de comunicação colocarem obstáculos ao sucesso da missão", poderão ser recusados os pedidos de entrevistas, ameaçaram as autoridades.
Depois de meses de tácticas dilatórias, o Japão decidiu enviar em breve uns 600 soldados para o Sul do Iraque para uma missão "não combatente" destinada à reconstrução e a tarefas humanitárias. Esta missão deverá prolongar-se até ao final de 2004.
Trata-se de uma intervenção muito delicada, já que é a primeira vez que o exército japonês será instalado numa zona de guerra desde 1945. O Japão, que foi derrotado nas selvas da Ásia e no Pacífico, não disparou nenhum tiro desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A Constituição pacifista do Japão, promulgada em 1946, proíbe-o em princípio de participar em operações de segurança colectiva.
Segundo as pesquisas, a maioria dos japoneses opõe-se ao envio de tropas para o Iraque. Muitas pessoas consultadas temem que os soldados nipónicos terminem sendo envolvidos nos combates.
O primeiro-ministro Junichiro Koizumi esforçou-se por acalmar os ânimos.
"Nós esperamos que vocês façam o vosso trabalho de jornalistas, mas sem deixar de levar em conta as medidas de segurança", disse aos repórteres.
Os influentes órgãos de comunicação nipónicos - os jornais são os primeiros do mundo em tiragem - e os especialistas na imprensa não estão convencidos.
"Não há nenhuma diferença da propaganda do quartel-general do exército imperial (durante a Segunda Guerra Mundial). A atitude arrogante e anacrónica da Agência de Defesa supera toda a compreensão", denuncia um universitário num artigo publicado no jornal Mainichi Shimbun.

Relatório Hutton, de alto risco para Blair, será publicado este mês 

O relatório do juiz Hutton sobre o suicídio, em Julho de 2003, do especialista em armamentos David Kelly, um relatório potencialmente explosivo para Tony Blair, será publicado no dia 28 de Janeiro. No dia anterior haverá uma votação parlamentar difícil para o primeiro-ministro sobre os aumentos de propinas.

A última semana de Janeiro promete apresentar muitos riscos para o chefe do governo. A publicação do relatório Hutton vem sendo muito esperada pelas implicações que poderá ter no futuro político de Tony Blair. Alguns não hesitam em evocar a demissão do primeiro-ministro e sua eventual substituição pelo eterno adversário trabalhista, o ministro da Economia e Finanças, Gordon Brown.
Durante as audiências, acompanhadas por todo o país, como uma grande novela, o juiz Brian Hutton ouviu 74 testemunhas entre os dias 11 de Agosto e 13 de Outubro últimos; entre elas, Tony Blair e Geoff Hoon.
David Kelly, funcionário do Ministério da Defesa (MoD), teria sido a fonte de uma reportagem assinada por Andrew Gilligan, jornalista da BBC que acusou o governo de ter exagerado a ameaça iraquiana para justificar a guerra.
Uma semana depois do seu nome ter aparecido na imprensa, o cientista suicidou-se, na noite de 17 para 18 de Julho, cortando as veias do pulso esquerdo. Esta morte teve o efeito de uma verdadeira bomba na Grã Bretanha e mergulhou Tony Blair - já criticado por uma larga fracção da opinião pública pelo seu apoio total ao governo conservador americano - na mais grave crise desde que ele chegou a Downing Street, em 1997.
O relatório Hutton poderá ser consultado no site The-hutton-inquiry.
No dia 27 de Janeiro, os Comuns vão pronunciar-se sobre um outro assunto que vem incomodando o primeiro-ministro: o financiamento das universidades. O projecto de lei trabalhista prevê que, a partir de 2006, as universidades serão autorizadas a fixar por conta própria as suas propinas, tendo por tecto 3.000 libras (4.500 euros) por ano, contra um total de 1.100 libras (1.656 euros), hoje.
Cento e sessenta deputados do Labour (de um total de 411) já assinaram uma moção de protesto, e Tony Blair, que declarou que a sua autoridade está em jogo, é ameaçado por uma derrota humilhante.

12.1.04

Os árbitros 

Ao FC do Porto e ao Sporting saem sempre uns árbitros simpáticos e cooperantes.
Ao Benfica vêm saindo uns árbitros que com entusiasmo marcam pénaltis ao contrário, assinalam faltas mal um jogador do Benfica respira e em nome da imparcialidade vão encostando o Benfica às cordas.
O FC do Porto e o Sporting agradecem e promovem os árbitros, e o Benfica vai perdendo e aprendendo a saber o que custa ser fraco e estar na mó de baixo.
Já lá vai o tempo em que os árbitros também sorriam ao meu Benfica. Este não é também um sinal do que se chama poder hegemónico? O poder produz sempre as condições que lhe trazem mais poder.

11.1.04

Morreu o filósofo italiano Norberto Bobbio 

O filósofo, pensador e senador vitalício Norberto Bobbio, 94 anos, considerado um dos maiores intelectuais da Itália, morreu esta sexta-feira, dia 09, em Turim.

O filósofo, conhecido pelas suas posições de esquerda, entrou em coma irreversível na noite de Quinta-feira e respirava graças à ajuda de aparelhos.
No final de Dezembro as suas condições de saúde tinham-se agravado em consequência de uma infecção pulmonar. Bobbio foi internado no passado dia 27 de Dezembro.
O filósofo, viúvo recentemente, depois de 60 anos de casamento, foi profundamente afectado pela morte no mês de Outubro de Alessandro Galante Garrone, filósofo e historiador, seu grande amigo.
Nascido em Turim a 18 de Outubro de 1909, doutor em Filosofia, Bobbio era professor da Universidade de Turim, onde deu aulas de Filosofia do Direito, Ciências Políticas e Filosofia da Política durante várias décadas.
Bobbio era senador vitalício há 20 anos, nomeado pelo então presidente Sandro Pertini, e era considerado um dos filósofos mais importantes do século XX, especializado em Direito e Política.
Em 1975, o intelectual italiano iniciou no seu país um debate sobre
socialismo, democracia, marxismo e comunismo, que influenciou as novas gerações de toda a Europa de então.
Fica a notícia por não a ter visto nos jornais.

A sociedade de consumo 

Porque é que textos, notícias, acontecimentos em tempos muito badalados, perderam a importância a ponto de desaparecerem do espaço mediático e do nosso conhecimento?
O que aconteceu, por exemplo, ao Kosovo, à Sérvia, ao Afeganistão? Os textos e os sentimentos a que estes acontecimentos deram origem perderam importância?
Foram os textos ou os temas que perderam importância? Ou será que os temas continuam a ter a mesma importância só que, por interesses do poder dominante, saíram do espaço visível, do espaço mediático? O Iraque ainda é um tema de interesse ou é já um cadáver a guardar no armário da história? Qual é o próximo acontecimento a consumir? Apenas a (re)eleição de Bush?

Escola e sociedade 

Perante a falência dos sistemas educativos, não é o tempo de perguntar o que pode a escola fazer pela sociedade. Agora é o tempo de perguntar o que pode a sociedade fazer pela escola.

Clima de escola 

Apagaram e desvirtuaram o papel do professor e sujeitaram-no à brutalidade e à frustração de uma escola sem regras.

7.1.04

Os ódios do Governo 

Este Governo PSD/PP odeia os desgraçados dos funcionários públicos. E nesse ódio é acompanhado pela maioria dos comentadores oficiais. Não estou a ver nenhum director de jornal, nenhum editor de rádio que se distancie deste comportamento estranho. Porque será?

5.1.04

Greve: no Quénia reabrem três universidades 

No Quénia reabrem três universidades embora os professores prossigam a greve.

Três das seis universidades públicas do Quénia, fechadas desde o dia 10 de Novembro, em consequência de uma greve dos professores que reclamam aumentos salariais, reabriram as suas portas no dia 4 de Janeiro, mas os professores já anunciaram que continuam o seu movimento.
"Nós não retomaremos os cursos enquanto o governo não satisfizer as nossas reivindicações", declarou o presidente do sindicato do pessoal universitário (UASU), john Nderitu.
As outras três universidades públicas devem reabrir na próxima semana, anunciaram as suas direcções.
As autoridades quénianas fecharam as seis universidades publicas do país em 10 de Novembro, após o anúncio do movimento grevista lançado unanimemente por cerca de 3.200 professores aderentes da UASU, num efectivo estimado em 3.500 segundo a organização sindical.
Os grevistas pedem a multiplicação por 10 do salário mínimo para um professor em início de carreira, actualmente a rondar os 315 dólares, e por 24 o salário dos mais antigos actualmente fixado em cerca de 530 dólares.
O governo promete rever os salários em Fevereiro, mas não diz que concessões está disposto a fazer.

2.1.04

Israel perde a batalha demográfica para os palestinianos 

Israel está a perder a "batalha demográfica" para os palestinianos, que estão prestes a superar o número de judeus entre o rio Jordão e o Mediterrâneo, enquanto a imigração judaica continua a cair.

"A tendência é muito clara — antes do fim da década, os judeus serão uma minoria em Israel, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia", disse à AFP o demógrafo Sérgio Della Pergola.
Professor da Universidade Hebraica, Pergola reafirmou comentários recentes de personalidades da esfera política, alertando para que Israel "não será capaz de se manter como Estado judeu e democrático ao mesmo tempo" se continuar a ocupar os territórios palestinianos.
Há 5,2 milhões de judeus entre o rio Jordão e o Mediterrâneo e quase 4,9 milhões de palestinianos, inclusive o 1,2 milhão de chamados árabe-israelitas que vivem dentro do Estado judeu.
Alguns demógrafos argumentam que os não-judeus já são maioria porque cerca de 300 mil russos que imigraram no âmbito da "lei do retorno" não são judeus.
"A população árabe tem uma taxa de fertilidade muito mais alta do que a judia, que cresce sobretudo graças à imigração, mas esta imigração continua a cair e a menos que um desastre atinja a diáspora judaica, nada aponta para uma mudança", disse Della Pergolla.
Segundo números oficiais, em 2003, a imigração para Israel atingiu o ponto mais baixo desde 1989, com uma queda de 31% face a 2002.
Menos de 24 mil imigrantes entraram no Estado judeu no ano passado, metade deles provenientes dos países que formavam o bloco soviético, segundo a Agência Judaica, entidade encarregada da imigração para Israel.
O fluxo russo está a diminuir, imigrantes da Argentina (1.200), da França (2.000) e da Etiópia também chegaram em menor número e os imigrantes procedentes dos Estados Unidos (2.500) foram um pouco mais em 2003, mas não o suficiente para contrabalançar a tendência de queda.
Cerca de 35 mil judeus imigraram para Israel em 2002, contra 44 mil em 2001 e 60 mil no ano 2000.
Metade das 12.500 pessoas que vieram da antiga União Soviética em 2003 e as que vieram nos últimos anos não são consideradas judias pelo rabinado.
No entanto, elas beneficiaram da "lei do retorno", que lhes garante a nacionalidade israelita, porque têm parentes próximos vivendo no Estado hebraico.
Especialistas dizem que a razão para a queda na imigração é, por um lado, a situação de segurança em Israel, enquanto a Intifada continua a causar vítimas, 40 meses depois de explodir, e por outro, a recessão económica.
Segundo o gabinete palestino de estatísticas, em 2010 os palestinianos superarão os israelitas em população, com 6,2 milhões contra 5,7 milhões, se as taxas de crescimento demográfico se mantiverem as mesmas.
Não há estatística oficial sobre a emigração de Israel, pois são necessários cinco anos para determinar se a pessoa se estabeleceu
definitivamente noutro país, mas a imprensa israelita sugeriu que de 10 mil a 15 mil pessoas deixaram o país, por ano, desde o início da nova Intifada.
Enquanto a ideia da "transferência" — a proposta nacionalista de deportar os palestinos da "Grande Israel" — perde terreno, o argumento da fraqueza demográfica israelita está a ser usado por todos os lados para promover uma solução de dois Estados.
Simpatizantes de esquerda dizem que Israel não conseguirá identificar-se como democrático se continuar a dominar tantos palestinianos, enquanto a direita tem usado o espectro da maioria árabe para propor a separação, seja negociada ou unilateral.

O outro baralho 

A Greenpece, imitando o governo dos EUA, elaborou uma lista dos mais procurados e o respectivo baralho.
REUNIÃO
Trata-se de uma série de lideres mundiais, como Bush, Blair, Sharon ou Chirac que, para além de muitos deles contarem com apreciável número de mortos às costas, têm em comum o facto de todos contarem com arsenais de armas de destruição massiva. E estes não são apenas suspeitos de ter, têm mesmo.

1.1.04

Deputado Kowetiano quer proibir a música nas escolas 

Um deputado islamista do Koweite disse que estava a procurar apoio de outros deputados para proibirem o ensino da música nas escolas do emirado, pois ele considera que esta actividade é anti-islâmica e constitui uma perda de tempo.
M. Daifallah Bouramia al-Moutairi afirma num comunicado que pode submeter esta posição ao parlamento, que na próxima semana deve dar início a um debate sobre o sistema educativo no emirado.
"As lições de música ocupam o tempo dos estudantes sem que estes tirem daí qualquer proveito. Os pais não mandam os filhos para a escola para que aprendam como fazer música, mas para receber uma educação científica útil que lhes seja proveitosa, a eles e ao país", afirma o deputado.
Considerando a música contrária ao islão, M. Moutairi, declarou ter como objectivo propor a substituição das lições de música por um curso de educação islâmica.
Em Julho de 1997, por recomendação do parlamento, o ministro da informação proibiu os concertos públicos.
Recentemente o emirado autorizou concertos por cantores árabes populares, apesar da oposição parlamentar.
Estima-se que este fervor a favor da eficiência e da aprendizagem com esforço, alegre os corações da nossa elite neoliberal partidária de "um ensino como deve ser", custoso, sofredor, científico, útil, virado para o trabalho e para as empresas, contrário aos "filhos de Rousseau". José Manuel Fernandes e companhia têm no senhor M. Moutairi um amigo, um deputado como deve ser.

Direitos 

Proponho que se substitua o direito ao trabalho pelo direito à actividade. Este direito ficaria assim: «todo o ser humano tem direito à actividade, senão estiver no trabalho está em formação»

SIDA guerra e exploração infantil serão alvos-chaves da Unicef para 2004 

A SIDA, a guerra, a exploração e o abuso de menores, a expectativa de vida e a falta de investimentos em educação serão as principais preocupações do Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef) no ano de 2004, anunciou a sua directora-geral, Carol Bellamy.

"Cada um destes problemas isolados supõe desafios para centenas de milhares de crianças", destacou Bellamy, em comunicado divulgado por ocasião do Ano Novo.
"E, juntos, estes problemas representam um imperativo global para fazermos mais pelas crianças em 2004", acrescentou.
REUNIÃO
Mais de 50% dos portadores do vírus da SIDA que descobriram recentemente ter a doença têm menos de 25 anos. No total, há 14 milhões de crianças doentes, 11 milhões delas na África Subsaariana. Grande parte perdeu os pais por causa da doença, que deve deixar cerca de 20 milhões de menores órfãos até 2010, nas previsões da Unicef.
No que se refere à guerra, mais de dois milhões de crianças morreram e mais de seis milhões foram gravemente feridas ou sofreram deficiências crónicas devido aos conflitos armados na década passada, explica a agência da ONU.
A exploração e o abuso sexual de menores também serão um grande desafio para a organização. Cerca de 240 milhões de crianças trabalham em todo o mundo e 171 milhões, em condições de grande risco.
Além disso, 11 milhões de crianças morrem anualmente antes de completar cinco anos de idade. Um número ainda maior tem problemas mentais ou físicos e as suas famílias não têm condições financeiras para comprar medicamentos no caso de doenças como malária, rubéola ou diarreia.
Para concluir, o Unicef destaca que os governos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento não reconheceram, como deveriam, a importância dos investimentos destinados à infância, sobretudo na área da educação.
"Se continuarmos investindo nas crianças e insistindo que elas são o eixo de qualquer discussão sobre o desenvolvimento, poderemos fazer do mundo um lugar melhor e mais seguro", destacou Bellamy.




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